Cinema escandinavo atrai atenções no Festival de Berlim

Gemma Casadevall. Berlim, 15 fev (EFE).- O cinema escandinavo conseguiu atrair as atenções hoje no Festival de Berlim com A Somewhat Gentle Man, que, com base no talento de Stellan Skarsgard, mostra a vida de um assassino e ex-presidiário e que consegue arrancar boas risadas do público.

EFE |

Além do filme norueguês ("Um certo cavalheiro", na tradução livre), os outros dois longas em competição exibidos hoje foram o austríaco "Der Raeuber" ("O Ladrão) e o japonês "Caterpillar", um drama de guerra sobre um soldado que volta para casa sem braços e pernas.

O temor, que acabou não se concretizando, era de que a segunda-feira de diferentes idiomas soasse confusa para o público.

O diretor Hans Petter Moland marcou a diferença, com um Skarsgard em excelente forma, e espreme o humor de forma curiosa em uma história em que a dúvida é sobre sentir pena ou rir das aventuras sexuais de seu herói.

A primeira coisa que o protagonista descobre após 12 anos atrás das grades é que fora não terá tanta paz. Em vez do carcereiro, estará agora nas mãos de uma mulher que, mais do que feia, tem um desaforado apetite sexual.

Assim, deverá enfrentar prazeres semelhantes também no trabalho, numa oficina mecânica, com o objetivo de pagar as dívidas a seu antigo bando.

Não importa, Skarsgard pode tudo. O ator sueco, de reconhecido talento, teve que ter versatilidade para encarar a nova vida em casa, com a ex-esposa e com a menina da oficina.

Skarsgard nunca falha, enquanto Moland surpreende o espectador com uma saída adequada, justo quando todos perguntam como conseguirá escapar de tamanha enrascada.

Pela segunda vez em competição no Festival de Berlim, após "Uma Nova Vida" (2004), Moland recebeu a primeira ovação real de um evento necessitado de ídolos europeus.

Ele dividiu o dia com outro filme envolvendo presos, "Der Raeuber", também baseado no trabalho de um protagonista, Andreas Lust, mas de dinâmica oposta.

O longa é baseado em uma história real, transformado em romance por Martin Prinz e levado ao cinema pelo austríaco Benjamin Heisenberg.

O filme, de co-produção alemã, chegou ao Festival de Berlim como primeira contribuição do cinema anfitrião, o que é uma faca de dois gumes. Por um lado, muita expectativa; por outro, pouca tolerância.

Lust faz um mais um mais que correto trabalho em torno do corredor de fundo, que treinou para a maratona no pátio da prisão e na própria cela.

O protagonista unnca esteve em melhor forma, mas não é esta a única rotina que manteve atrás das grades: é pessoa de ideias fixas, que também não deixou de lado sua paixão pelo assalto.

Seu ex-preso não é como o de Skarsgard, embora ambos sejam parecidos em suas palavras. Para o ladrão, não há risos, tudo respira tensão, sem que Heinsenberg deixe entrever, no entanto, as motivações do protagonista.

"Não nos interessava o espelho psicológico ou biográfico, saber o que o faz correr, assaltar, que plano tem ou não teve na cabeça, em que vai usar esse dinheiro ou por que foi parar na prisão. Quisemos retratar o rosto e o metabolismo do maratonista, a disciplina que aplica a tudo", explicou Heisenberger.

Alguns reprovaram no filme a ausência de tais panos de fundo, que acabam bloqueando toda empatia; outros avaliaram o perfil do assaltante que devora quilômetros e caixas-fortes; outros mais preferiram ressaltar as manobras de câmara, com cenas de perseguição policial baseadas na sutileza.

Já "Caterpillar" ("Lagarta"), de Koji Wakamatsu, parte de um argumento terrível e é realmente terrível.

O diretor trata de compilar em um ser todos os crimes do Japão aliado de Hitler, os 60 milhões de mortos da Segunda Guerra Mundial e o martírio que terá que enfrentar a esposa, já escravizada pelo marido antes da tragédia.

O efeito é de castigo: para o personagem, que só consegue se arrastar; e o espectador, que assiste a todo o horror da guerra na agonia de um mutilado. EFE gc/rr

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