Cinema argentino busca estratégias para lutar contra domínio de Hollywood

Barcelona, 15 abr (EFE).- Cineastas argentinos explicaram hoje em um debate na Mostra de Cinema Latino-americano da Catalunha (nordeste da Espanha) as diferentes estratégias da indústria cinematográfica de seu país para lutar contra o domínio de filmes de Hollywood.

EFE |

Participaram da mesa Juan Carlos Desanzo, diretor de "Eva Perón" (1996), e Fernando Sokolowicz, presidente do jornal argentino "Página 12" e produtor de filmes.

Ambos apontaram as atuais dificuldades na Argentina para fazer filmes nacionais e em co-produção com outros países.

Sokolowicz explicou que atualmente há na Argentina 800 salas de cinema com uns 40 milhões de espectadores anuais e que, a cada ano, de 80 filmes produzidos no país, apenas 30 chegam ao público.

Desses 40 milhões de espectadores, apenas cinco milhões (12,5%) veem filmes argentinos, destacou o produtor.

Tanto Sokolowicz como Desanzo concordaram no ponto de que o Governo argentino deve buscar medidas para defender o cinema do país como uma forma de conservar e propagar a identidade e a cultura da Argentina.

"Neste momento não existe nenhum tipo de apoio específico", disse Sokolowicz.

Segundo o produtor, o problema principal é que nenhum filme argentino dura mais de uma semana nas salas de cinema, já que é retirado sempre quando chega uma produção americana.

Algumas produtoras, como a de Sokolowicz, também estão testando fórmulas alternativas de produção como a exibição de seus filmes na internet ou a realização de séries para a web, contando com atores de cinema como Ricardo Darín, que recentemente protagonizou a bem-sucedida "El Vagoneta".

Outra das dificuldades para fazer filmes na Argentina está nos problemas para conseguir financiamento, já que nem os bancos, como nos Estados Unidos, nem as cadeias de televisão, como na Espanha, se arriscam a produzir filmes.

"O que fazemos é um fundo comum entre vários produtores e nós pagamos os filmes", explicou Sokolowicz.

"É muito difícil comercializar um filme. As produtoras americanas estão esperando que fracassemos nas bilheterias para nos jogar fora", lamentou Desanzo. EFE cll/bba

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