Cineasta iraniano é solto após pagar 160 mil euros

Prisão de Jafar Panahi desde 1° de março foi alvo de protestos internacionais

iG São Paulo |

O cineasta iraniano , preso desde 1° de março, foi libertado nesta terça-feira após pagar uma fiança de 160 mil euros. A informou foi dada por sua mulher, Tahereh Saeedi, confirmando um comunicado da procuradoria de Teerã. "Sim, ele foi libertado e está bem", declarou Saeedi por telefone. "Vamos levá-lo ao médico", completou.

Reuters
Jafar Panahi sorri em sua casa após libertação

Há dez dias Panahi iniciou uma greve de fome para protestar contra sua prisão. O cineasta de 49 anos, que apoia abertamente a oposição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi preso em sua casa em Teerã com outras 16 pessoas.

Em abril, o Ministério da Cultura iraniano afirmou que a prisão estava relacionada ao fato de o diretor estar "preparando um filme contra o regime, sobre os acontecimentos posteriores às eleições", o que Panahi nega.

© AP
Atriz Juliette Binoche durante premiação no Festival de Cannes
Sua prisão provocou protestos internacionalmente, e muitas personalidades pediram sua libertação, particularmente nos últimos dias, durante o Festival de Cannes, no qual o diretor faria parte do júri.

Durante a premiação do festival, Juliette Binoche, eleita melhor atriz por "Copie Conforme", dirigido pelo também iraniano Abbas Kiarostami, levantou um cartaz pedindo a libertação do cineasta iraniano.

Kiarostami classificou a situação de Panahi de vergonhosa, denunciou a perseguição do atual Governo aos artistas em geral e aos cineastas em particular, e pediu a imediata libertação de seu colega.

Uma carta de Panahi também foi lida em Cannes. "Sou inocente. Não fiz nenhum filme contra o regime iraniano", disse ele, na mensagem, na qual também mandou "calorosos abraços de minha pequena e escura cela na prisão de Evin".

Panahi, de 49 anos, é conhecido pela corajosa crítica social de seus filmes, tais como "O sabor das cerejas", vencedor da Palma de Ouro na edição de 1997 do Festival de Cannes, "O Círculo", que lhe rendeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza, em 2000, e "Fora do Jogo", ganhador, em 2006, do Urso de Prata do Festival de Berlim.

Os filmes iranianos têm-se destacado nas últimas décadas, mas a censura do Estado liderado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad torna difícil o trabalho desses artistas. A reeleição de Ahmadinejad em junho de 2009 produziu uma série de manifestações nas ruas do país, que causaram confrontos com as forças de segurança, deixando mortos e presos.

Com AFP e EFE

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