Cineasta brasileira embarca para a Turquia

Iara Lee deixou Israel nesta quarta-feira, após dois dias presa por participação em frota humanitária atacada pelo Exército

iG São Paulo |

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava na frota de ajuda humanitária atacada por Israel na segunda-feira, deixou o país no início da noite desta quarta-feira. Por volta das 19h, Iara embarcou para Istambul, na Turquia, em um dos três aviões que transportam os integrantes da chamada "Flotilha da Liberdade".

Após o desembarque, a brasileira receberá a assistência do Cônsul-Geral do Brasil naquela cidade, Michael Gepp. Um outro avião que transportava um turco e um irlandês feridos durante o ataque chegou por volta de 18h em Ancara, na Turquia.

Reuters
Ativista turco acena após desembarque em Ancara

As autoridades de Israel afirmaram ter decidido não processar nenhum dos ativistas estrangeiros, mas alguns árabes israelenses que estavam nos barcos continuam detidos e podem enfrentar ações judiciais.

Segundo as autoridades, havia 682 pessoas de 42 países diferentes nos seis barcos interceptados na segunda-feira, numa operação em que nove pessoas morreram. Na manhã desta quarta-feira, 123 ativistas já haviam sido transportados por Israel até a fronteira com a Jordânia, onde foram libertados.

Eles foram recebidos com palmas e cantoria depois de 10 horas de espera. A libertação para a Jordânia foi conseguida por meio de um acordo alcançado pelo cônsul jordaniano em Israel, Issam al-Bodur. Pelo pacto, Israel concordou em enviar os participantes da Jordânia, Mauritânia, Kuwait e Síria de ônibus para a Jordânia e, de lá, para seus respectivos países.

Brasileira

Um diplomata brasileiro que estava no aeroporto para dar assistência à cineasta disse que não conseguiu falar com ela, porque as autoridades israelenses não permitiram o contato com os ativistas. Ele disse não saber se ela foi obrigada a assinar algum documento para ser deportada.

Na terça-feira, o Itamaraty havia protestado contra a exigência, por parte das autoridades israelenses, de que os ativistas assinassem um documento reconhecendo terem invadido ilegalmente o país.

De acordo com a embaixada, a brasileira estava na lista de passageiros da frota como cidadã americana. Ela vive em Nova York há 20 anos e não se sabe se ela seguirá para o Brasil ou para os EUA após pousar na Turquia.

Turquia

Também nesta quarta-feira, o Parlamento da Turquia aprovou uma resolução que pede que o governo submeta a uma revisão todas os laços militares e econômicos entre Ancara e Tel Aviv.

A resolução também pede a realização de uma investigação independente sobre o ataque israelense aos barcos que levavam ajuda humanitária; uma desculpa formal de Israel e o pagamento de indenização às vítimas. Pelo menos quatro turcos morreram durante a ação israelense.

A Turquia é uma exceção entre os países muçulmanos por ter reconhecido o Estado de Israel desde a sua criação, em 1948, e mantido fortes laços comerciais com o país desde então.

Em um pronunciamento em rede nacional em Israel, o primeiro-ministro do país, Binyamin Netanyahu, voltou a defender nesta quarta-feira a operação das forças de segurança israelenses. Netanyahu descreveu a reação à ação contra a frota como "hipocrisia internacional".

Com BBC Brasil e AFP

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