Cinco mulheres e 1 homem integram o primeiro júri popular no Japão

Tóquio, 3 ago (EFE).- O primeiro julgamento com júri popular no Japão começou hoje em um tribunal de Tóquio, com o caso de um japonês de 72 anos acusado de assassinar sua vizinha sul-coreana após uma briga.

EFE |

Esta manhã foram escolhidos os seis membros do júri, cinco mulheres e um homem, e três suplentes de entre 47 cidadãos que se submeteram aos testes de seleção no tribunal do distrito de Tóquio, segundo a agência local "Kyodo".

Este sistema legal entrou em vigor em maio passado, embora até hoje não tinha sido colocado em prática.

Trata-se de um sistema controvertido no Japão, um país caracterizado por uma maioria de sentenças condenatórias, e com o qual se pretende tornar os cidadãos mais partícipes do funcionamento da justiça.

Esta manhã, cerca de 300 pessoas, entre elas advogados e representantes de grupos cívicos, se manifestaram em Tóquio contra a nova lei de júri, pois consideram que viola a liberdade de ação e pensamento.

Espera-se que durante o julgamento, que termina nesta quinta-feira, o acusado admita ter apunhalado sua vizinha sul-coreana de 66 anos, após ter discutido com ela sobre onde devia ser estacionada uma motocicleta que pertencia a sua família.

A escolha do júri, que se ocupa do caso junto a três juízes profissionais, aconteceu esta manhã mediante várias entrevistas e questionários para descartar os candidatos que tenham tido alguma conexão com a vítima ou o acusado, ou aos quais o Tribunal considere que podem estabelecer erros judiciais "injustos".

Tanto a defesa como a acusação podem também solicitar que se prescinda de até quatro membros do júri popular, sem se referir a nenhuma razão concreta, se considerarem que são inapropriados.

O júri contará com a ajuda de vários especialistas no campo legal que os auxiliarão a compreender os termos mais técnicos utilizados durante os juízos.

Ao mesmo tempo, o Escritório do promotor do Tribunal do Distrito de Tóquio se comprometeu hoje a garantir que os júris populares possam seguir facilmente os processos legais e a demonstrar "seus argumentos de maneira compreensível", disseram hoje em comunicado.

A nova lei estabelece também uma pena máxima de seis meses de prisão ou 500 mil ienes (3.703 euros) de multa para aqueles membros do júri que filtrem informação sobre as deliberações a portas fechadas durante o caso.

O júri popular deve respeitar também uma obrigação de segredo sobre tais deliberações por toda a vida. EFE icr/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG