Cinco meses após Annapolis, Abbas sem acordo à vista com Israel

O presidente palestino Mahmud Abbas iniciou nesta quarta-feira discussões com o governo americano centradas em negociações de paz com Israel, em compasso de espera cinco meses após a retomada do diálogo com grande pompa sob o patrocínio de Washington.

AFP |

Abbas encontrou-se hoje em Washington com a secretária de Estado Condoleezza Rice e deve ser recebido amanhã, quinta-feira, na Casa Branca, pelo presidente George W. Bush.

"O presidente palestino destacou durante o encontro que cinco meses após Annapolis o fosso entre as posições palestinas e israelenses ainda é profundo e afirmou que já é tempo de tomar decisões", declarou à imprensa o negociador palestino Saëb Erakat. "O fator tempo é essencial".

"Repetiu que o prosseguimento da colonização israelense constituía o principal obstáculo", acrescentou.

Segundo o negociador, Rice anunciou a Abbas que efetuaria uma nova visita aos palestinos e a Israel nos dias 3 e 4 de maio.

Em declarações aos jornalistas que o acompanharam numa turnê que o levou antes de Washington a Moscou, à Tunísia e à Islândia, Abbas havia afirmado antes que prestaria contas a Bush do desenvolvimento das negociações com Israel e que o faria conhecer "com toda a franquesa nossas posições sobre os principais dossiês negociadoss".

Após setes anos de impasse, palestinos e israelenses haviam relançado as negociações de paz durante a conferência de Annapolis nos Estados Unidos em novembro com o objetivo fixado de chegar a um acordo em 2008.

Mas as negociações sobre questões tão complexas quanto o destino de Jerusalém, das colônias judaicas na Cisjordânia ocupada, dos refugiados palestinos e o traçado de frontières, foram minadas por divergências comprometendo as chances de um acordo nos próximos meses.

"Uma importante diferença separa nossas posições daquelas de Israel", afirmou Abbas.

O diálogo também foi prejudicado pela violência na Faixa de Gaza controlada por islamitas do Hamas onde Israel multiplica ataques mortíferos em represália a tiros de foguetes sobre seu território.

A este respeito, Abbas repetiu durante a entrevista com Rice que apoiava os esforços mobilizados pelo Egito para instaurar uma trégua, segundo Erakat.

Pela manhã, Abbas também se encontrou em Washington com o rei Abdullah II da Jordânia que lhe prestou contas das conversas que manteve mais cedo na Casa Branca.

O soberano jordaniano insistiu junto a Bush que as negociações israelense-palestinas devam ser "fundadas sobre bases claras e num calendário definido", segundo um comunicado de sua assessoria de imprensa.

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