Cinco prisioneiros dos Estados Unidos acusados de participar dos ataques de 11 de setembro de 2001 se declararam à promotoria americana terroristas até os ossos, segundo documentos divulgados nesta terça-feira pelo governo do país.

Os homens se descreveram como "conselho consultivo" do 11 de Setembro e disseram que as acusações são motivo de orgulho.

"Para nós, não são acusações, são uma medalha de honra", afirma o documento assinado pelos cinco detidos no centro de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba.

No grupo está Khalid Sheikh Mohammed, considerado um dos principais mentores do ataque, que resultou na morte de cerca de três mil pessoas.

O Pentágono disse que as declarações seriam uma tentativa de ganhar publicidade.

Em um pré-julgamento em dezembro, Mohammed, capturado no Paquistão em 2003, disse querer se declarar culpado de todas as acusações feitas contra ele.

Em janeiro, o novo governo americano suspendeu os processos contra os 245 detidos em Guantánamo enquanto os casos seriam reavaliados.

No mês seguinte, o governo admitiu ter usado em Mohammed uma controversa técnica de interrogatório chamada waterboarding , em que há uma simulação de afogamento.

Também nesta terça-feira, o único detido, classificado pela administração do ex-presidente americano George W. Bush como um "combatente inimigo", que ainda permanece detido nos Estados Unidos apareceu em uma corte do país.

AP

Andy Savage (centro), advogado de Al-Marri,
após o acusado aparecer em uma corte dos EUA

Ali Al-Marri, 43 anos, com nacionalidade saudita e catari, participou no Estado da Carolina do Sul de uma audiência preliminar a seu julgamento, no qual pode ser condenado a até 30 anos de cadeia.

Ele foi capturado logo após os ataques de 2001, acusado de fraude com cartão de crédito, e está preso em uma base da marinha americana desde 2003.

Al-Marri foi acusado de ter se encontrado com o líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e de ter sido voluntário para um atentado suicida na época em que era estudante no Estado do Illinois, onde deve ocorrer o julgamento.

Conforme o definido durante o governo de Bush, ao receber o status de combatente inimigo, Al-Marri poderia permanecer sob custódia das autoridades indefinidamente sem receber acusações formais.

Entretanto, o atual presidente, Barack Obama, determinou uma revisão de seu caso.

O advogado do suspeito elogiou o fato de seu cliente ir a julgamento, criticou sua detenção contínua e disse que o objetivo é que ele seja repatriado para o Catar.

Al-Marri deve aparecer perante um juiz no dia 18 de março.


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