Cinco aviões russos são abatidos pelas forças da Geórgia

GEÓRGIA - Pelos menos cinco aviões militares russos foram abatidos por caças georgianos, afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do ministério do Interior da Geórgia, Chota Utiashvili.

Redação com agências internacionais |

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse em entrevista à CNN na sexta-feira que a Rússia está travando uma guerra contra seu país. "Temos tanques russos entrando. Temos bombardeios russos contínuos desde ontem, especialmente contra a população civil", disse Saakashvili à CNN. "A Rússia está lutando uma guerra contra nós em nosso próprio território", acrescentou.

Saakashvili confirmou que as forças de seu país derrubaram aviões russos. "Um dos aviões atacava especificamente um hospital civil, ferindo médicos e pacientes, sem nenhum propósito", disse. O presidente da Geórgia disse ter testemunhado um ataque aéreo russo --dois jatos voando muito baixo, procurando "um mercado em uma tarde muito movimentada, e atingindo-o, acertando a multidão".

Bombardeio da Rússia

Jatos russos bombardearam a base aérea de Vaziani, perto da capital georgiana de Tbilisi nesta sexta-feira, informou uma importante autoridade de segurança.

A Rússia anunciou o envio de tropas para a região da Ossétia do Sul e a interrupção de todas suas conexões aéreas com a Geórgia a partir deste sábado, segundo o ministério russo dos Transportes citado pelas agências RIA-Novosti e Interfax.


Imagem da TV capta tanque georgiano queimando após ataque na Ossétia do Sul/AP

Conflito

A Geórgia acusa a Rússia de armar os rebeldes da Ossétia do Sul, que tentam a separação desde a guerra civil da década de 90, quando a região declarou sua independência. Moscou nega essas acusações.

A Rússia está insatisfeita com a ambição da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental), e acusou o país de concentrar suas forças em torno das regiões separatistas, onde tropas de paz russas estão estacionadas.


Mapa da Geórgia

História

Depois da queda da União Soviética, em 1991, a Geórgia votou pela restauração da independência que havia brevemente experimentado durante a Revolução Bolchevique.

No entanto, a postura nacionalista refletiu em problemas com a região norte da fronteira da Geórgia, habitada pelos ossetas - um grupo étnico distinto natural das planícies russas, ao sul do rio Don.

A Ossétia do Sul fica do lado georgiano da fronteira, enquanto a Ossétia do Norte fica em território russo. Apesar disso, os laços entre as duas regiões permaneceram fortes e o movimento pela independência osseta foi estimulado pelas dificuldades enfrentadas na época dos czares, no período comunista até atualmente.

Quando a Geórgia se separou da União Soviética, o governo nacionalista proibiu o partido político da Ossétia do Sul, o que levou os ossetas a boicotarem a política georgiana e realizarem suas próprias eleições - pleito que foi considerado ilegal pela Geórgia.

Os conflitos entre os separatistas e as forças georgianas começaram nesta época, mas o Exército da Geórgia não exterminou os rebeldes ossetas por medo de uma intervenção russa.

A Ossétia do Sul proclamou sua independência em 1992, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer ser agregada à Federação Russa, assim como a Ossétia do Norte.

A situação está frágil desde 1990 e se agravou ainda mais há quatro anos, quando os georgianos começaram a realizar operações policiais e de combate ao contrabando na região.


Tanques da Geórgia patrulham a cidade de Gori/EFE

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Com informações da Reuters e da BBC Brasil

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