Cildo Meireles recebe hoje Prêmio Velázquez de Artes Plásticas na Espanha

Madri, 9 jun (EFE).- A arte é sempre uma espécie de inutilidade indispensável que emana daqueles que estão perto da loucura e que têm a força e a coragem de transformar o mundo ao redor, afirmou o artista brasileiro Cildo Meireles, que recebe hoje, das mãos do rei Juan Carlos da Espanha, o Prêmio Velázquez de Artes Plásticas 2008.

EFE |

Em entrevista coletiva conjunta com o ministro da Cultura da Espanha, César Antonio Molina, Meireles contou que é "muito bom" que este prêmio, que disse receber com "imensa honra", seja aberto a outros países em que não se fala espanhol.

O artista brasileiro, que usa a fotografia, a instalação e a pintura em seus trabalhos, é referência na arte conceitual e postula um compromisso político que critica a natureza européia da arte moderna ocidental.

Sobre o Brasil, país a que a Feira de Arte Contemporânea de Madri dedicou sua última edição, Meireles definiu como um país no qual é "cada um por si e Deus por todos".

Além dos 90.450 euros, o artista plástico brasileiro vai ganhar uma exposição na galeria Tate Modern, em Londres, de 14 de outubro deste ano a 11 de janeiro de 2009.

Sobre seu trabalho como escritor há muitos anos, Meireles de desculpou por seu "deslize".

"Uma das razões que me levou às artes plásticas é poder me expressar por outro meio que não seja a palavra. As palavras são implacáveis", revelou.

Meireles visitou ontem a exposição do Museu do Prado dedicada a Goya, considerado pelo brasileiro como "uma espécie de mestre".

"Aos 12 anos meu pai me presenteou um livro de sua obra gráfica e foi isto que mudou meu horizonte. Ontem tive que controlar a emoção de estar diante de suas obras", afirmou.

Esta é a segunda vez que o Prêmio Velázquez, criado em 2002, será entregue a um latino-americano. Em 2005, o vencedor da premiação foi o mexicano Juan Soriano. EFE cb/wr/fal

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