Santiago do Chile, 10 mai (EFE).- Cientistas da Nasa (agência espacial americana) analisam potenciais cenários e realizam os primeiros testes no deserto chileno do Atacama para, no futuro, fazer possíveis viagens tripuladas a outros planetas como Marte, informa hoje o diário El Mercurio.

O ambiente seco, a alta radiação ultravioleta e os ventos associados a violentas tempestades que podem degradar e decompor materiais orgânicos se assemelham à superfície marciana, segundo os cientistas que se encontram na região considerada a mais árida do planeta.

São oito cientistas da Nasa e universidades associadas, liderados pelo biólogo Judson Wynne, que averiguam de modo permanente oito cavernas abertas em sal, gesso e sedimentos localizadas na Reserva Nacional de Los Flamencos, cerca de 1.600 quilômetros a nordeste de Santiago.

Para os especialistas, que com sensores medem a temperatura, pressão e umidade das cavernas, esses locais formam um laboratório natural, com cenários comparáveis aos que haveria na superfície marciana.

O projeto "Programa de detecção de cavernas Terra-Marte, expedição ao Deserto do Atacama" é dividido em várias fases, de 2008 a 2010. A equipe de Wynne chegou à zona em 2008.

Os habitantes da localidade próxima de San Pedro do Atacama descrevem como "impactos de meteoritos" as cavernas localizadas na Cordilheira do Sal.

Guillermo Chong, líder de uma equipe de geólogos da Universidad Católica do Norte que apoia os trabalhos dos americanos, explica que se procura definir como serão feitas as missões e os instrumentos adequados para detectar cavernas em Marte e estudar indícios de vida.

Segundo ele, isso permitirá determinar se é factível instalar um assentamento permanente em Marte.

Em uma primeira fase se usariam as cavernas como refúgios para depois instalar abrigos que suportem as condições meteorológicas extremas da superfície, afirmou Chong.

Na segunda fase, em desenvolvimento, se verificam diferenças térmicas nas cavernas, entrada e zonas interiores, onde seria mais estável, para contrastá-las com o exterior e a presença de água no subsolo. EFE mc/rr

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