Cientistas sugerem novo olhar sobre as drogas psicodélicas

Pesquisadores suíços defendem que, em doses baixas, essas substâncias podem auxiliar no tratamento de transtornos psiquiátricos

Reuters |

Drogas lisérgicas como LSD, chá de cogumelos e cetamina poderiam auxiliar no tratamento de depressão, transtornos compulsivos e dores crônicas, revelam pesquisadores suíços em um recente artigo publicado no periódico científico Nature Neuroscience.

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Drogas psicodélicas poderiam ajudar a tratar transtornos psiquiátricos
A conotação negativa dos alucinógenos impediu que estudos aprofundados e testes sobre os efeitos dos psicodélicos nesse grupo de pacientes avançassem ao longo dos anos. Apesar dos preconceitos sociais, os cientistas revelam um forte potencial clínico dessas substâncias, quando bem dosadas e estudadas de forma séria.

Recentes estudos de imagem cerebral, feitos pelos pesquisadores suíços, mostram que a dietilamida do ácido lisérgico, substância presente no LSD, a cetamina e a psilocibina, podem atuar no cérebro de uma forma positiva, ajudando a reduzir os sintomas de diversos transtornos psiquiátricos.

Segundo os cientistas, essas drogas poderiam ser usadas como uma espécie de catalisador no cérebro, ajudando os pacientes a alterarem a percepção dos problemas ou dos níveis de dor, o que daria um novo embasamento para o trabalho dos terapeutas comportamentais ou psicoterapeutas.

"As substâncias psicodélicas podem dar aos pacientes uma nova perspectiva, especialmente quando memórias reprimidas vêm à tona, e as pessoas podem lidar com essas experiências" revela Franz Vollenweider cientista do departamento de Neurofarmacologia e Unidade de Imagem do Cérebro do Hospital Psiquiátrico da Universidade de Zurich, na Suíça.

Dependendo do tipo de pessoa que usa, da dose e da situação, essas subastâncias podem ter uma ampla gama de efeitos benéficos, defendem os especialistas.

Baixa dosagem

Para Vollenweider e seu colega Michael Kometer, que colaborou no artigo, pesquisas anteriores já sugerem que essas drogas podem ajudar a aliviar doenças mentais agindo sobre os circuitos cerebrais e sistemas de neurotransmissores conhecidamente alterados em pacientes que sofrem de depressão e ansiedade.

Caso sejam usadas como tratamento, entretanto, as drogas só teriam esse efeito positivo quando utilizadas em doses bem baixas, por um curto período de tempo e com acompanhamento de um terapeuta.

"A idéia é limitar o uso, talvez por algumas sessões ao longo de poucos meses, não um tratamento a longo prazo, como é feito com os outros tipos de medicação", endossa Vollenweider.

Um estudo publicado por cientistas norte-americanos constatou que uma infusão de cetamina, anestésico usado legalmente por médicos e veterinários, mas também utilizado de forma recreativa como alucinógeno - pode elevar o humor em poucos minutos em pacientes com depressão e transtorno bipolar.

Para Vollenweider, a pesquisa amplia a gama de medicamentos que podem ser utilizados para tratar transtornos mentais, doença que cresce exponencialmente no mundo todo. O cientista ainda revela que muitos pacientes com graves problemas psiquiátricos ou dores crônicas não respondem o esperado aos medicamentos tradicionais para tratar seus transtornos psiquiátricos.

"São doenças graves, precisam de novas opções de tratamento. Atualmente, o que temos disponível no mercado tem altas taxas de insucesso. Os psicodélicos poderiam oferecer novas estratégias de tratamento para melhorar o bem-estar dos pacientes.”

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