Cientistas se reúnem em Paris 25 anos depois do descobrimento da Aids

Centenas de cientistas, entre eles Luc Montagnier e Robert Gallo, que descobriram o vírus da Aids, se reuniram nesta segunda-feira no Instituto Pasteur de Paris, onde acontece um encontro de três dias para discutir os 25 anos do HIV e os esforços da comunidade científica para vencer a doença.

AFP |

No início da reunião, os professores Montagnier e Gallo lamentaram a lentidão no enfrentamento da epidemia.

Este aniversário não é "uma celebração" nem uma comemoração", pois "o vírus continua aí", afirmou o professor Montagnier, cujos trabalhos permitiram a identificação do vírus em 1983.

"Gostaria de festejar com vocês o fim da Aids, ao invés dos 25 anos do descobrimento do vírus", declarou.

"Não estamos satisfeitos", continuou Montagnier, afirmando esperar a médio prazo que se consiga desenvolver uma vacina terapêutica que restaure o sistema imunológico, danificado pela doença, "talvez, um dia, uma preventiva".

O professor americano Robert Gallo, por sua vez, que confirmou a identificação do vírus em 1984, lamentou que os testes com a vacina não tenham sido feitos em grande escala.

"Houve grandes avanços, mas também grandes erros, e falta ainda muito por fazer", declarou.

Referindo-se aos efeitos trágicos da doença, Gallo comparou a Aids a um "tsunami mensal, com 200.000 mortos por mês", e denunciou a falta de acesso a medicamentos das populações do Sul.

Tanto Gallo como Montagnier destacaram que as tensões e as disputas em torno da paternidade do descobrimento do vírus ficaram para trás. "Somos colegas e amigos", garantiu o professor americano.

Os participantes apontaram ainda a extrema capacidade de mutação do vírus da Aids. "Em apenas uma pessoa doente há mais variações do que em uma epidemia mundial de gripe", afirmou Gary Nabel, do Centro de Pesquisas sobre Vacinas de Bethesda.

Por outro lado, o diretor da Agência Nacional francesa de Pesquisa sobre a Aids e as Hepatites Virais, Jean-François Delfraissy, alertou sobre a tendência a considerar a Aids como uma doença crônica, "que é um risco de banalização".

Do mesmo modo, os participantes chamaram a atenção sobre a necessidade de financiamento para a pesquisa.

"O dinheiro é sempre um problema, mas hoje é o maior problema", disse Gallo.

A França, número dois mundial da pesquisa sobre a Aids, dedica um orçamento anual ao desenvolvimento da vacina de 5 milhões de euros, bem atrás dos 600 milhões empregados dos Estados Unidos.

bur/ap

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