Cientistas revelam insetos da Era dos dinossauros

Cientistas franceses conseguiram identificar mais de 350 fósseis de minúsculos animais que viveram nos tempos dos dinossauros, utilizando uma técnica que permitiu observar com detalhes, pela primeira vez, pedaços de âmbar completamente opacos. A análise de dois quilos de material retirado do sítio de Charentes, no sudoeste da França, revelou a presença de insetos, ácaros, aranhas e crustáceos que viveram há cerca de 100 milhões de anos, no período Cretáceo, que sucede o período Jurássico da era Mesozóica.

BBC Brasil |

A pesquisadora Malvina Lak, da Universidade de Rennes, disse que os animais descobertos são muito pequenos - um dos ácaros mede 0,8 mm e um fóssil de vespa, apenas 0,4 mm.

"O tamanho desses organismos se deve provavelmente ao fato de que animais maiores seriam capazes de escapar da resina, enquanto os pequenos eram capturados com mais facilidade", ela disse.

A pesquisa envolveu cientistas do Museu de História Natural de Paris e da Instalação Européia de Radiação por Síncrotron (ESRF, sigla em inglês).

Os raios-X intensos utilizados na pesquisa são a única maneira pela qual se pode visualizar e estudar inclusões tão pequenas no âmbar.

Analisar a resina fóssil, que protege a casca de árvores do ataque de insetos, tem sido um dos desafios de paleontólogos, porque sua versão opaca - que compõe até 80% de todo o âmbar em sítios paleontológicos como o de Charentes - não permite análise a olho nu.

"Há muitos anos os pesquisadores vêm tentado estudar este tipo de âmbar, sem sucesso. É a primeira vez que conseguimos revelar e estudar o fóssil contido nele", disse o paleontólogo da ESRF Paul Tafforeau.

Para Malvina Lak, o sucesso do projeto mostra a importância dos equipamentos da ESRF no estudo de fósseis.

"O âmbar opaco abriga muitos aspectos de vidas passadas em nosso planeta que ainda não conhecemos. O uso de fontes de síncrotron (acelerador de partículas) de terceira geração vai continuar a ter um papel importante em revelá-los", disse ela.

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