Redação Central, 8 jun (EFE).- Um grupo internacional de cientistas comprovou pela primeira vez o efeito devastador do dióxido de carbono (CO2) nos ecossistemas marítimos, nos quais provoca um aumento da acidez que destrói corais, caracóis e ouriços-do-mar e uma proliferação da Didymosphenia geminata.

Para isto os cientistas de Reino Unido, França, Israel e Itália, coordenados pelo Dr. Jason Hall-Spencer, da universidade britânica de Plymouth, lançaram um inovador projeto que consiste em analisar os ecossistemas oceânicos próximos a respiradouros submarinos vulcânicos de dióxido de carbono.

Os resultados de sua primeira expedição, realizada na ilha italiana de Ischia, na baía de Nápoles, aparecem na última edição da revista "Nature".

A pesquisa foi possível após a descoberta de que os respiradouros vulcânicos submarinos servem como experimentos naturais em larga escala dos efeitos das emissões de CO2 dos humanos.

As observações dos cientistas confirmam as suspeitas de que, "se não forem controlados os níveis de CO2 emitidos pelo homem, as redes tróficas marinhas serão perturbadas gravemente e serão produzidas grandes mudanças ecológicas", disse Hall-Spencer.

"Comunidades marinhas inteiras e os ecossistemas mudam por causa dos efeitos a longo prazo da acidificação", que causa uma queda dos valores do ph da água, acrescentou.

Entre as "dramáticas" conseqüências ecológicas desta acidificação estão o desaparecimento de corais, caracóis e ouriços-do-mar, e a proliferação de "Didymosphenia geminata" (algas microscópicas que formam uma espécie de cimento quando estão em colônias) não nativas.

Para o ano 2100 estima-se que o CO2 procedente da atividade humana terá dobrado os níveis pré-industriais e aumentará profundamente a acidez dos oceanos, mas até agora não se sabe exatamente como afetaria os ecossistemas marítimos.

Este é um dos principais problemas ambientais que ameaçam o planeta, já que 70% da Terra está coberta por oceanos.

"Ninguém estudou os efeitos biológicos da acidificação dos oceanos nesta escala antes", segundo Hall-Spencer, que explicou que pesquisas anteriores não puderam prever as conseqüências a longo prazo das emissões de CO2 ao serem realizadas em pequena escala, a curto prazo ou em um laboratório. EFE ik/bm/fal

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