Cientistas registram explosão no universo, com potência jamais observada

Uma explosão de raios gama, com uma potência jamais observada, foi registrada em setembro de 2008 pelo novo telescópio espacial americano Fermi, segundo estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

AFP |

Essa deflagração, surgida na constelação de Carina, equivale a cerca de 9.000 supernovas explodindo simultaneamente e emitindo cinco vezes a energia emitida pelo sol em menos de 60 segundos sob a forma de raios X e gama, calcularam os astrofísicos.

Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares, segundo as estimativas, e que produziriam objetos extremamente brilhantes, que vão se apagando até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original até que, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior.

Na explosão de raios gama observada, com uma potência jamais vista e batizada GRB 080916C, a matéria foi expulsa praticamente à velocidade da luz.

Aconteceu a uma distância de 12,2 bilhões de anos-luz, o que torna sua potência ainda mais surpreendente, assinalam.

A imagem foi revelada pela Large Area Telescope do Fermi nos 100 segundos que se sucederam a seu aparecimento, no dia 16 de setembro de 2008, à 00H12 GMT; 31,7 horas depois, o telescópio do observatório austral europeu de la Silla, no Chile, observou a explosão em sua fase prolongada, ou remanescente.

Estima-se que o universo tenha-se originado há 13,7 bilhões de anos-luz, quando se produziu o "Big Bang". Um ano-luz equivale à distância percorrida pela luz em um ano, isto é, 9,46 trilhões de quilômetros.

A explosão de raios gama mais distante já registrada até então data de 12,6 bilhões de anos-luz, segundo observação realizada em 2005 pela sonda americana Swift junto com telescópios terrestres.

"Esta deflagração levanta muitas interrogações", segundo Peter Michelson, professor de física da Universidade de Stanford (Califórnia, oeste), e principal encarregado científico do telescópio Fermi. Mas, "dentro de alguns anos, disporemos de boas amostras que talvez nos forneçam respostas", assinalou.

As investigações foram realizadas por Jochen Greiner, do Instituto Max Planck da Alemanha, com a participação de várias equipes francesas nas análises e na interpretação dos dados.

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