Cientistas obtêm células-tronco pluripotentes de testículos humanos

Londres, 8 out (EFE).- Um grupo de cientistas alemães e britânicos obteve pela primeira vez células-tronco pluripotentes a partir de células espermatogônicas procedentes de testículos humanos, o que abre novas possibilidades para a medicina regenerativa.

EFE |

Na pesquisa, publicada hoje pela revista "Nature", a equipe dirigida por Thomas Skutella obteve resultados similares aos registrados no ano passado em um experimento com ratos, o que confirma que está mais próxima "a possibilidade de geração de células para tratamentos individuais".

Skutella, diretor do Centro de Biologia e Medicina Regenerativa de Tübingen, na Alemanha, e seus colegas demonstraram que é possível obter células parecidas às embrionárias de uma biópsia testicular.

As células-tronco são células imaturas que podem se desenvolver em um ou mais tecidos de diferentes tipos, por isso são chave para a pesquisa e possível tratamento de muitas doenças.

Os especialistas obtiveram as células-tronco a partir da biópsia testicular realizada com 22 pessoas de idades entre 17 e 81 anos.

As amostras obtidas foram tratadas em cultivos com vários químicos biológicos para produzir células-tronco de linha com material genético com propriedades pluripotentes.

Posteriormente, elas foram separadas para produzir várias linhas celulares.

Após uma série de testes, especialistas comprovaram que as células-tronco obtidas tinham um cariótipo normal (46 cromossomos) e também os mesmos marcadores presentes nas células-tronco embrionárias.

Previamente, já se tinha demonstrado que as células-tronco germinais derivadas de testículos de ratos tinham propriedades pluripotentes.

No caso do estudo apresentado hoje, vários testes clínicos demonstraram que as células obtidas eram capazes de se diferenciar entre células nervosas, do pâncreas, musculares e dos ossos.

A obtenção de células-tronco do tecido testicular abre muitas possibilidades de tratamento individual porque haveria menos risco de rejeição do tecido implantado.

Além disso, coloca menos questões éticas que o uso de células obtidas de embriões ou de humanos não nascidos.

Os próprios especialistas reconhecem, no entanto, que existe o risco de que os tratamentos que utilizam células imaturas possam causar câncer, já que essas são muito similares aos tumores.

De fato, as utilizadas na pesquisa dirigida por Skutella provocaram tumores quando foram implantadas em ratos imunodeficientes. EFE jm/rr

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