Cientistas observam como buraco negro da Via Láctea devora matéria

Madri, 18 nov (EFE).- Uma equipe internacional de cientistas observou como o buraco negro supermassivo da Via Láctea, com uma massa 4 milhões de vezes maior que a do Sol, segue devorando matéria no centro da galáxia, informou hoje o Centro Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (Csic).

EFE |

Os pesquisadores, alguns do Csic detectaram intensos brilhos de Sagittarius A (SgrA), o buraco negro supermassivo, situado no centro da galáxia, a 26 mil anos-luz da Terra, que revelariam a existência de nuvens de gás desgarradas ao girar em grande velocidade ao seu redor, tal como comprovado pelos telescópios VLT e Apex.

Os buracos negros são difíceis de observar e este constitui um objetivo especialmente complicado, já que no centro da Via Láctea há enormes quantidades de gás e pó que fazem a radiação que emitem os objetos na longitude de onda visível (o tipo de luz que vêem nossos olhos) se extinguir pelo caminho.

Os telescópios VLT e Apex, situados no Chile, captam ondas infravermelhas e submilimétricas, respectivamente, e trata-se da primeira vez que se obtêm medidas simultâneas de uma fulguração com estes instrumentos.

"O SgrA é visível na luz infravermelha durante curtos períodos de tempo, quando exibe fortes brilhos. Como não se pode prever quando ocorrerão estas fulgurações, não é fácil observá-las com dois telescópios que não estejam no mesmo lugar, porque uma simples nuvem poderia tapar a região do céu que interessa", explica Rainer Schödel, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, no sul da Espanha.

Após várias noites de espera, os astrônomos encarregados do VLT descobriram que o SgrA se ativava e que seu brilho aumentava cada minuto.

Eles alertaram seus colegas do Apex e, durante as seis horas seguintes, todos observaram violentas variações no brilho de SgrA, além de quatro fulgurações maiores.

Como previam os astrônomos, as fulgurações se registraram primeiro por ondas infravermelhas e, uma hora e meia depois, em ondas submilimétricas.

Isto se deve à expansão das nuvens de gás que finalmente caem ao buraco: a velocidade com a qual giram nas últimas órbitas em torno do SgrA faz com que se estirem, aumentando seu tamanho e voltando mais transparentes; é quando então a radiação pode viajar através delas e chegar até a Terra, por fases.

Por enquanto, segundo o analista, só se pode perceber "a emissão do SgrA como um ponto de luz".

No entanto, "como em termos astronômicos se encontra próximo à Terra e é relativamente grande, em cinco ou dez anos esperamos ser capazes de observar diretamente o gás que circula ao seu ao redor", acrescentou. EFE aqr/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG