Cientistas lançam outro feixe de prótons no acelerador

GENEBRA - Um feixe de milhões de protóns foi lançado no superacelerador de partículas LHC da Organização Européia para a Pesquisa Nuclear (CERN) às 12h30 (7h30 de Brasília) em sentido contrário ao primeiro que foi colocado hoje e que conseguiu com sucesso dar uma volta completa.

Redação com agências internacionais |

O primeiro feixe que circulou pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC) foi no sentido horário, e levou cerca de uma hora para percorrer os 27 quilômetros do anel circular subterrâneo . Já o segundo foi lançado em direção anti-horária.

"Se conseguirmos que este segundo feixe faça um círculo completo no sentido contrário, teremos conseguido mais do que tínhamos previsto para hoje", disse a física espanhola Teresa Rodrigo, que trabalha no experimento CMS do acelerador, um dos quatro detectores gigantes do LHC, situado na fronteira entre Suíça e França.

Volta completa

A princípio, o objetivo para hoje era conseguir que os prótons circulassem de maneira estável pelo acelerador, o mais potente já construído, a uma velocidade muito menor da que terão nos próximos meses, quando a máquina funcionar a "pleno vapor" e houver a tentativa da colisão frontal de partículas.

A cientista afirmou que, após ter circulado ao longo de todo o túnel do acelerador, o primeiro feixe de prótons já foi extraído da máquina.

O sucesso da primeira prova do funcionamento do LHC, após conseguir que o primeiro feixe desse uma volta completa, foi recebido com aplausos pelas dezenas de cientistas presentes na sala de controle do organismo.


Cientistas comemoram volta completa do feixe de prótons / AP

"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez se conseguiu que, em uma hora, o acelerador aceitasse as partículas e estas circulassem", disse, em entrevista coletiva, o diretor-geral do CERN, Robert Aymar, após o sucesso do primeiro lançamento.

Mesmo que o feixe em sentido anti-horário consiga dar uma volta completa, hoje não haverá colisões de partículas nem serão recriadas as condições do Big Bang, já que não haverá lançamentos simultâneos nas duas direções nem se chegou ainda à velocidade próxima a da luz.

O projeto

O acelerador foi construído pela Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) em um laboratório subterrâneo na fronteira franco-suíça.

Desde a concepção até o acionamento do LHC nesta quarta-feira, foram 30 anos de pesquisas e vários obstáculos. O orçamento estourou várias vezes e o custo final ficou quatro vezes maior do que o previsto, por problemas de equipamento e construção do aparelho. O acionamento foi atrasado em dois anos.

Durante o inverno europeu, o LHC será fechado para que os engenheiros preparem o equipamento para reproduzir as colisões com energia total - e não de baixa intensidade, como nesta quarta.

"O que é tão empolgante é que não tivemos o lançamento de um equipamento tão grande durante anos", disse Tara Shears, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra .

"Nossos experimentos são tão grandes, complexos e caros que não ocorrem com tanta freqüência. Mas quando acontecem, tiramos deles toda a física possível ", afirmou.


Aparelho tenta simular condições após Big Bang / Getty Images

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* Com AFP e BBC

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