Cientistas imitam teia de aranha em fibra sintética para coletar água da névoa

Redes desenvolvidas com alta tecnologia, inspiradas por teias de aranha, e capazes de coletar água da névoa de locais muito úmidos, podem ajudar a levar o precioso líquido a locais atingidos por secas.

AFP |

Em estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira, cientistas chineses explicam porque a teia das aranhas não é famosa apenas pela força, mas também pela incrível capacidade de coletar a água presente no ar, evitando que o animal precise se preocupar em ter o que beber.

O segredo, revelado por um microscópio eletrônico, está nas fibras proteicas em formato de cauda que formam a teia, cuja estrutura muda ao reagir com a água.

Uma vez em contato com a umidade, pequenos segmentos do fio se "enrolam" em minúsculos nós, cuja distribuição aleatória de nan-fibras é responsável pela textura áspera e cheia de protuberâncias da teia.

As pequenas gotas se condensam por toda a teia de aranha, até chegarem a um tamanho máximo, quando escorregam pelo fio até as articulações da trama, onde se unem às outras gotas, formando porções maiores de água.

A equipe de pesquisadores, coordenada por Lei Jiang, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, estudou a teia da aranha Uloborus walckenaerius , que usa uma espécie de pente, ou cribellum, para separar as fibras e moldá-las de diferentes maneiras.

Inspirados na aranha, os cientistas começaram a desenvolver fibras com o objetivo de reproduzir a estrutura microscópica da teia.

"Nossa aranha artificial não apenas imita a estrutura da teia de aranha em contato com a águia, mas também sua capacidade de direcionar a água coletada", afirmam.

A descoberta ajudará no desenvolvimento de fibras fabricáveis capazes de coletar água tanto em lugares úmidos quanto em grandes altitudes, acopladas a aeronaves, por exemplo.

A coleta de orvalho da névoa pode ser feita com redes ou telas esticadas em mastros. A técnica, utilizada na costa dos Andes, está sendo incentivada em localidades mais pobres e secas do mundo, como o Nepal, além de lugares que sofrem com o aquecimento global e com secas prolongadas.

Leia mais sobre: Aranhas

    Leia tudo sobre: aranhasbiotecnologia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG