Cientistas identificam elementos-chave para vacina da malária

HONG KONG (Reuters) - Cientistas identificaram duas moléculas superficiais no parasita da malária que podem permitir o desenvolvimento de uma vacina contra a doença, que mata pelo menos 1 milhão de pessoas por ano no mundo, disse uma revista médica que circula nesta quarta-feira. As moléculas, chamadas antígenos, parecem desencadear uma reação imunológica poderosa em pacientes, ajudando a protegê-los contra a doença em infecções posteriores.

Reuters |

Sob o comando de Freya Fowkes, do Instituto Walter e Eliza Hall de Pesquisas Médicas, de Melbourne (Austrália), os pesquisadores analisaram 33 estudos médicos anteriores que avaliavam pessoas que haviam ficado imunes à malária depois de sofrerem a doença.

Eles descobriram que dois antígenos --o MSP-3 e o MSP-119-- provocavam anticorpos particularmente poderosos nos pacientes, o que os protegia em 54 e 18 por cento de novos episódios da doença, respectivamente.

"As pessoas em áreas endêmicas de malária desenvolvem uma imunidade natural", disse Fowkes à Reuters antes da publicação das conclusões na revista PLoS Medicine. "O que (os estudos) fizeram foi ir a essas comunidades e ver a quais antígenos há imunidade e ver se podemos usar esses antígenos para fazer vacinas."

Segundo ela, é possível que haja outros antígenos protetores que ainda não foram estudados.

O parasita da malária se multiplica invadindo os glóbulos vermelhos do sangue. "O parasita usa diferentes antígenos para se acoplar a diferentes moléculas na superfície das células sanguíneas vermelhas (...). Uma vez dentro das células sanguíneas vermelhas, o parasita se divide e se multiplica rapidamente, e a célula sanguínea vermelha estoura e libera ainda mais (parasitas) que contaminam ainda mais células sanguíneas vermelhas", explicou a pesquisadora.

"Pode haver centenas de milhares de células sanguíneas vermelhas infectadas em uma pessoa."

É difícil produzir uma vacina contra a malária porque o parasita é muito diverso, com muitos antígenos em sua superfície. "Com o sarampo, você pega só uma infecção por sarampo e está imune o resto da vida", comparou Fowkes.

"Com a malária, você precisa de múltiplas infecções para desenvolver uma imunidade de longo prazo à doença. O parasita em si é muito diverso, com muitos diferentes antígenos na superfície (...), e demora um tempo para desenvolver imunidade suficiente a todos os diferentes antígenos (e) para dar uma proteção de longo prazo contra a malária."

(Reportagem de Tan Ee Lyn)

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