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Cientistas identificam comportamento workaholic em golfinhos

Cientistas na Austrália da Universidade de Georgetown, Estados Unidos, disseram que golfinhos que usam esponjas como ferramentas passam mais tempo caçando e mergulhando do que outros animais da mesma espécie. O inusitado comportamento do golfinho, de levar esponjas no seu bico para vasculhar a areia do fundo do mar, já é conhecido desde os anos 80 e é tido como mais uma prova da inteligência do animal.

BBC Brasil |

Mas o novo estudo, liderado pela professora de biologia e psicologia Janet Mann, identificou que os golfinhos que fazem uso desse comportamento são "workaholics".

"Os gênios do mundo marinho também pode ser 'workaholics' que usam ferramentas, passando mais tempo caçando com ferramentas do que qualquer outro animal não-humano", afirmou a professora.

Presas escondidas
O estudo, inciado em 1989, observou 41 golfinhos da espécie Tursiops truncatus, também conhecido como golfinho-comum ou golfinho-nariz-de-garrafa, de uma população de milhares na Baía Shark, no Oceano Índico, que usavam esponjas marinhas como ferramentas.

Mann diz que esse comportamento, o uso de esponjas marinhas em seus bicos para auxiliar na procura de alimentos, é praticamente exclusivo das fêmeas da espécie.

Os golfinhos usam as esponjas para encontrar presas escondidas na areia do fundo do mar e passam mais tempo usando esta esponja do qualquer outro animal que costuma usar ferramentas.

A pesquisa constatou também que os 41 golfinhos com as esponjas passavam mais tempo caçando e mergulhando do que outros golfinhos.

Ao comparar golfinhos fêmeas que usavam a esponja com outras que não usavam, os pesquisadores observaram também que as que usavam as ferramentas eram mais solitárias e passavam mais tempo em águas profundas.

'Aula'
Janet Mann e os pesquisadores também notaram que as fêmeas que usavam esponja transmitiam este conhecimento a seus filhotes.

"Poucos machos carregam esponjas e eles parecem aprender mais lentamente", afirmou Mann.

A equipe notou que todos os filhotes fêmeas começaram a usar a ferramenta antes de desmamar, enquanto os filhotes machos raramente usavam a esponja, e, quando o faziam, era apenas depois de desmamar.

Os autores da pesquisa sugerem que filhotes fêmeas mostram uma tendência forte para adotar os comportamentos sociais e de busca de alimentos de suas mães, enquanto os machos parecem menos interessados no comportamento da mãe e mais voltados para o relacionamento com outros machos.

"Acreditamos que estas diferenças entre os sexos já sinalizam os interesses reprodutivos no longo prazo de machos e fêmeas, com os machos se concentrando mais em formar alianças, necessárias para o encontro de parceiras, e fêmeas mais concentradas nas habilidades para procurar alimentos, necessárias para atender às exigências dos três a oito anos necessários para a criação de cada filhote", disse Mann.

Apesar de este comportamento ter sido detectado pela primeira vez nos anos 80, sua observação era muito difícil, pois estes golfinhos procuram peixes para alimentação primeiramente em canais profundos, de 8 a 13 metros de profundidade.

A pesquisa foi publicada na revista especializada PLoS One.

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