Cientistas estudam se neurotoxina presente em campos de futebol causa ELA

Madri, 26 out (EFE) - Uma neurotoxina presente nos gramados dos campos de futebol pode ser a causa da doença degenerativa esclerose lateral amiotrófica (ELA), segundo uma nova corrente de pesquisa sobre a origem desta patologia.

EFE |

Assim o explicou à Agência Efe o diretor da Unidade de ELA do Hospital Carlos III de Madri, Jesús Mora, o neurologista com mais tempo de experiência no tratamento do problema na Espanha.

A doença é conhecida nos Estados Unidos como o mal de Lou Gehrig, nome de um dos melhores jogadores de beisebol do país que sofreu de ELA nos anos 1930.

A patologia foi diagnosticada em mais de 40 jogadores na Itália nos últimos anos, proporção muito maior do que na população normal, mas até agora não foi detectado um aumento de casos em outros esportes sem tanto contato com o gramado.

Isto serviu de indício para a abertura de novas indagações em torno da neurotoxina BMAA, produzida por algas azuis ou cianofíceas, presentes em águas paradas, e que se alimentam principalmente de fosfatos como os dos pesticidas, condições que às vezes acontecem no gramado bastante regado dos estádios.

Segundo Mora, a alta presença das cianofíceas no meio ambiente e a raridade da doença fazem pensar que, para ficar doente, também seriam necessários condicionantes genéticos individuais.

As cianofíceas e suas neurotoxinas também estão relacionadas com outras doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.

Os pacientes com ELA sofrem uma paralisia dos músculos das pernas e dos braços, da boca e da garganta, impossibilitando a fala e a deglutição, e por último, a respiração.

Apenas 20% sobrevivem cinco anos, e 5% dos casos são hereditários.

Mora explicou que, embora seja uma doença da idade adulta, a aparição em pessoas jovens é cada vez mais freqüente.

A Unidade da ELA do Hospital Carlos III participa atualmente de um teste clínico internacional com um novo remédio chamado talampanel, que conta com 540 pacientes com ELA na Alemanha, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Israel e Itália.

Este é o estudo atual mais importante da ELA, depois que o departamento dirigido por Mora participou, nos anos 1990, da descoberta do único medicamento que até hoje retarda a rápida progressão da doença. EFE ad/wr/db

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