Cientistas estudam realizar migração assistida de espécies

Washington, 17 jul (EFE).- Um grupo internacional de especialistas propôs uma migração assistida para impedir a extinção de diversas espécies ameaçadas pela mudança climática.

EFE |

Em um relatório divulgado hoje pela revista "Science", cientistas de Estados Unidos, Austrália e Reino Unido dizem que a mudança climática e a presença de barreiras criadas pelo homem impedem a migração de muitas espécies que buscam novos lugares para viver.

Eles citam o exemplo de algumas aves em zonas montanhosas do sul da Europa, onde as temperaturas aumentaram, mas que não conseguem emigrar para o norte na busca de um clima mais frio sem a ajuda do ser humano.

Segundo os cientistas conservacionistas, a "migração assistida" poderia ser necessária para colonizar novas regiões geográficas à medida que o habitat original seja insustentável para certas espécies.

"Quando coloquei esta idéia há uns 10 anos todos ficaram horrorizados", disse Camille Parmesan, professora da Universidade do Texas (EUA).

"Mas agora, perante a realidade do aquecimento global, e o aumento de espécies em perigo de extinção devido à mudança climática, vejo que existe uma nova disposição da comunidade para falar sobre ajudar às espécies", ressaltou.

No entanto, o grupo internacional de especialistas adverte que antes de proceder com a "migração assistida" será necessário estudar de forma mais detalhada todas as variáveis biológicas.

Também será preciso ponderar o risco de extinção caso essa migração não seja feita frente ao perigo que poderia representar esse método para outros espécies.

Segundo Chris Thomas, do Departamento de Biologia da Universidade de York, no Reino Unido, a migração assistida de uma espécie poderia ser perigosa para outra e é preciso "analisar cuidadosamente as vantagens e desvantagens de cada caso".

Parmesan explica esse perigo com um exemplo: "ajudar na migração de recifes de coral seria aceitável. Mas transplantar ursos polares à Antártida, onde provavelmente causariam a extinção dos pingüins, seria inaceitável".

Por outro lado, Thomas manifesta que nos últimos anos a ecologia teve grandes avanços e agora se sabe que a mudança de espécies dentro de uma mesma região geral, entre França e Reino Unido, por exemplo, não causa graves problemas biológicos.

"Está cada vez mais próximo o momento em que necessitaremos identificar espécies que necessitam de proteção, tanto do ponto de vista europeu como global... e começar a tomar medidas", disse o biólogo. EFE ojl/ab/rr

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