Cientistas estudam por que o homem balança os braços enquanto anda

Pesquisadores biomédicos afirmam que podem explicar porque nós balançamos os braços enquanto andamos, uma prática que há muito tempo desperta a curiosidade científica.

AFP |

Mas esse balançar de braços teria um custo. Precisamos usar os músculos e temos que providenciar energia na forma de alimentação para esses músculos, além do gasto metabólico dessa atividade que se origina no consumo de oxigênio e dióxido de carbono (CO2). Portanto, qual seria a vantagem desse movimento pendular?

Pouco ou nenhuma, afirmam até então os cientistas, explicando que esse hábito é apenas uma relíquia evolucionária do tempo de nossos ancestrais que usavam os quatro membros para se movimentar.

Só que um trio de especialistas dos Estados Unidos e da Holanda resolveu submeter a questão a testes rigorosos para rever esses conceitos.

Eles construíram um modelo mecânico para ter uma ideia da dinâmica do balançar de braços e então recrutaram dez voluntários que foram testados das mais variadas maneiras.

Acabaram constatando que o balançar de braços é mais vantajoso do que negativo para o homem.

Para começar, o movimento não requer tanto giro rotacional dos músculos do ombro como se supunha, pois andar contendo o balançar dos braços requer 12% a mais de energia metabólica do que andar normalmente.

O movimento pendular dos braços também ajuda no sentido de equilíbrio do caminhar, que, caso contrário, drena a energia dos músculos dos membros inferiores.

Se a pessoa controla os braços enquanto anda, esse movimento - chamado de momento de reação vertical ao solo - sobe até 63%.

Se a pessoa preferir caminhar com o balançar natural dos braços - isto é, com o movimento do braço direito em sincronia com o da perna direita, e a mesma coisa com os membros esquerdos -, o custo de usar os músculos do ombro é menor.

A desvantagem, no entanto, que o movimento oposto ao balançar sincronizado acaba aumentando o custo metabólico em 25%.

O estudo, chefiado por Steven Collins, da Universidade de Michigan, afirma que não devemos nos preocupar com esse balançar constante dos nossos membros superiores.

"Mais do que uma faculdade herdada das necessidades de locomoção de nossos ancestrais quadrúpedes, o balançar dos braços é uma parte integral da economia de energia feita pelo humano ao andar", afirma o estudo publicado no Proceedings of the Royal Society, jornal da Sociedade Britânica de Pesquisas.

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