Cientistas estudam modo de encurtar tratamento da tuberculose

Redação central, 16 out (EFE).- Uma equipe de cientistas descobriu como funcionam três compostos antibióticos com potencial para reduzir o tempo de tratamento da tuberculose, que atualmente dura vários meses, para apenas duas semanas, conforme publica hoje a revista Cell.

EFE |

Hoje, é usada uma família de antibióticos conhecida como rifamicina para tratar pacientes com a doença. O problema é que eles são bastante tóxicos, o que impossibilita admnistrar altas doses desta medicação para acabar com a bactéria em menos tempo.

Assim, com doses baixas, o tratamento se prolonga entre seis e nove meses. E pode durar até mais, de 18 a 20, caso a bactéria seja resistente à medidação.

Segundo Richard Ebright, co-diretor do estudo e professor da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, as resistências aos antibióticos se tornaram nos últimos tempos um grande problema de saúde pública.

"Durante seis décadas, os antibióticos foram nossa defesa contra as doenças infecciosas. Agora, essa defesa está se enfraquecendo", afirmou Ebright.

Os três antibióticos incluídos no estudo - a mixopironina, a coralopironina e a ripostatina - são compostos que bloqueiam a ação de uma enzima da bactéria, a RNA polimerase (RNAP), necessária para que as instruções "escritas" no genoma possam se tornar proteínas.

Eddy Arnold, co-diretor do estudo ao lado de Ebright e também professor na Universidade de Rutgers, acredita que isso é um avanço "incrível" que permitirá desenvolver novos remédios que possam se acomodar no lugar da enzima e bloqueá-la.

A mixopironina e a coralopironina já se mostraram eficazes em testes de laboratório contra um amplo espectro de espécies bacterianas patógenas, incluído o bacilo da tuberculose.

Além disso, a primeira foi testada em animais e não se mostrou tóxica em doses elevadas, disse Ebright à Agência Efe.

"Com um tratamento de seis meses para uma doença que está em grande parte do terceiro mundo, os problemas logísticos de espaço e tempo para administrar o tratamento tornam a erradicação impossível.

Mas se houvesse um tratamento de duas semanas, a logística seria manejável, e a doença poderia ser eliminada", explicou. EFE amc/rb/rr

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