Madri, 21 out (EFE).- Os livros de texto sobre biologia terão que abrir espaço em suas páginas à primeira imagem de um ribossomo híbrido, obtida por um grupo de pesquisadores do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (Csic) e do Cooperativa de Pesquisa bioGune.

Esta é a resposta gráfica a um dilema que a comunidade científica demorou 30 anos para resolver, ao fornecer novos dados sobre a síntese de proteínas ou tradução, processo biológico fundamental que acontece nos ribossomos, utilizados na biomedicina em grande parte dos antibióticos.

O trabalho, que aparece publicado no último número da revista "Proceedings" da Academia Nacional de Ciências dos EUA, foi possível graças a um processo de computação de mais de três anos de duração e a um novo método de processamento de imagem, único no mundo.

O estudo conta com a participação do pesquisador Sjors Scheres, do Csic, em Madri, assim como dos cientistas do bioGune, em Derio, no País Basco, Patricia Julián, Melisa Lázaro, David Gil e Mikel Valle, autor principal do trabalho.

A síntese de proteínas, também conhecida como tradução, é um dos três processos fundamentais de qualquer tipo de célula e se produz nos ribossomos, as grandes máquinas encarregadas de embuti-las a partir da informação genética do DNA.

Na tradução, as proteínas se fabricam acrescentando aminoácidos -as unidades que as formam-, que são transportados pelos ARN de transferência.

Em sua viagem, os ARN de transferência atravessam a cavidade interna do ribossomaos e, segundo o modelo aceito, sempre passam por três pontos de união.

Como explicam Scheres e Valle, a pergunta que a comunidade científica fez nos últimos 30 anos é "como estes ARN de transferência se movimentam pelo ribossomo".

Os pesquisadores ventilavam a possibilidade que os ribossomos adotassem dois estados transitórios para permitir essas três paradas.

"Se entendia que o ribossomo, quando tem que movimentar os ARN de transferência, se transforma em uma máquina dinâmica que oscila entre dois estados diferentes", explicou Valle.

Com este trabalho de microscopia eletrônica, os autores foram capazes de visualizar as posições híbridas do ARN de transferência A/P e E/P, ou seja, nos momentos em que se movimentam entre os pontos A e P e entre P e E.

As observações permitiram saber que, nesses dois momentos, o ribossomo sofre uma grande mudança em sua estrutura, já que as duas subunidades que o compõem rodam uma em relação à outra. EFE ad/jp

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