Cientistas encontram ponto fraco do vírus HIV

Washington, 16 jul (EFE).- Uma equipe de cientistas da Escola de Medicina da Universidade do Texas encontrou o ponto fraco do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em uma parte da proteína que o recobre, essencial para seu desenvolvimento nas células que ataca.

EFE |

O ponto fraco do HIV, que afeta milhões de pessoas no mundo, está escondido na proteína gp120 que envolve o vírus.

Os cientistas Sudhir Paul, Yasuhiro Nishiyama e Stéphanie Planque explicam em artigo intitulado "Catalytic Antibodies to HIV: Physiological Role and Potential Clinical Utility".

Esta proteína é essencial para que o HIV tenha adesão às células nas quais ele se introduz e a partir das quais inicia a infecção que provoca a aids.

A equipe médica foi capaz de fragmentá-la e destruir a parte que atua como "cérebro", uma seqüência de aminoácidos que permanece invariável, apesar das mutações as quais o vírus é submetido, o que seria muito útil no tratamento e prevenção da doença.

Normalmente, as defesas imunológicas do corpo humano podem evitar os vírus criando proteínas (anticorpos) que conseguem bloquear os elementos desconhecidos.

No entanto, no caso do HIV o vírus está constantemente mudando e os anticorpos não são capazes de controlar sua progressão, razão pela qual não há uma vacina preventiva para a aids.

Concretamente, esse ponto fraco é uma pequena parte entre os aminoácidos 421-433 da proteína gp120, que está sendo estudado para ser usado como agente terapêutico.

Estes aminoácidos funcionam como "cérebro" do vírus que, apesar das mutações sofridas para enganar o corpo humano, permanecem invariáveis e lembram ao HIV para atacar as células.

"O HIV não quer que os anticorpos ataquem essa região e utiliza a própria estrutura celular para atacar e confundir os linfócitos B - as células produtoras de anticorpos -, que produzem muitos anticorpos das regiões variáveis do HIV, mas não desta parte principal", explica.

A partir da descoberta, o grupo desenhou anticorpos com atividade enzimática, conhecidos como "abzymes", que podem atacar estes aminoácidos de uma maneira precisa.

"Os 'abzymes' reconhecem praticamente todas as diversas formas do HIV encontradas no mundo. Isto resolve o problema da mutabilidade do HIV. O passo seguinte é a confirmação de nossa teoria em testes clínicos humanos", diz Paul.

Ao contrário dos anticorpos, os "abzymes" degradam o vírus de forma permanente. Segundo o estudo, uma só molécula de "abzymes" pode acabar com milhares de partículas do vírus.

Os cientistas estudam agora se isto pode ser aplicado ao desenvolvimento de vacinas que possam ser utilizadas como um microbicida para prevenir a transmissão sexual da aids. EFE elv/rb/db

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