Cientistas elaboram tratamento contra desenvolvimento da aids

Barcelona, 25 nov (EFE) - A luta contra a aids tem um novo aliado em um novo tratamento desenvolvido na Espanha, que não evita a infecção pelo vírus HIV, mas protege contra o desenvolvimento da doença, e que será submetido a testes. O tratamento foi desenvolvido pela equipe do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), dirigida por Mariano Esteban, e tomou como base o subtipo B do HIV, que é o mais encontrado na Europa e em outras regiões do mundo. O teste, coordenado pelo Hospital Clínico de Barcelona, começará em janeiro e contará com 30 voluntários não infectados. Desses, 24 receberão a dose do tratamento, que é aplicado como uma vacina (MVA-B), enquanto os outros servirão apenas como grupo de controle.

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Mariano Esteban explicou hoje em entrevista coletiva que o tratamento envolve quatro antígenos modificados (gag, pol, env e nef), as substâncias que desencadeiam a formação de anticorpos no organismo, que foram modificados a partir destas variantes do vírus e que serão inoculados através do vetor transportador poxvírus MVA.

O método de aplicação, semelhante a uma vacina, "não pode provocar em nenhum caso a infecção por HIV dos voluntários", pois é desenvolvido "como uma proteína sintética que se expressa dentro da célula" que, ao ser incorporada como material genético, não continua no organismo, explicou o diretor da equipe de cientistas.

Felipe García, responsável do serviço de doenças infecciosas do hospital de Barcelona, e Juan Carlos López Barnaldo de Quirós, do Hospital Gregorio Marañón, de Madri, explicaram que, com o teste, esperam verificar se o organismo é capaz de gerar respostas de defesa frente a estas proteínas do HIV.

Se for comprovada sua capacidade de gerar defesas, em testes futuros, que poderiam durar vários anos, seria possível atestar sua eficácia na luta contra a aids, disseram García e Quirós.

Os cientistas especificaram que o método não previne o vírus do HIV, e que o que buscam é "que, uma vez infectados, os pacientes não desenvolvam a aids, pois seus sistemas imunológicos estarão fortalecidos e os protegerão".

Um dos cientistas explicou à Agência Efe que 0,5% dos pacientes infectados por HIV não chegam a desenvolver a doença, os chamados não-progressores, e o que esse método procura é reproduzir essa situação.

O teste começará em janeiro e os voluntários receberão três doses no período de cinco meses, e, durante esse intervalo, eles serão submetidos a exames de sangue para ver se geram defesas.

Segundo os pesquisadores, os testes desse método só serão feitos após ele ter sido experimentado em ratos e macacos, e de ser comprovada sua segurança e capacidade de induzir respostas imunes que protegem do vírus da imunodeficiência de símios, semelhante ao HIV.

O acompanhamento dos voluntários, que terão entre 18 e 55 anos, não poderão estar vacinadas contra varíola e com baixo risco de infecção por HIV, durará um ano, e os primeiros resultados poderiam ser divulgados a partir de maio.

Desde que surgiu, na década de 1980, a aids causou a morte de mais de 25 milhões de pessoas e, atualmente, há cerca de 40 milhões de infectados no mundo todo. EFE dh/ab/db

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