Cientistas dizem ter identificado gene ligado a transexualismo

Pesquisadores australianos dizem ter identificado uma importante conexão entre um gene que interfere na ação do hormônio testosterona e o transexualismo masculino. O estudo, realizado por especialistas em genética molecular do Prince Henrys Institute of Medical Research, em Melbourne, na Austrália, foi publicado na mais recente edição da revista científica Biological Psychiatry.

BBC Brasil |

Ao todo, 112 transexuais masculinos (homens que mudaram de sexo) participaram da pesquisa.

A análise do DNA dos voluntários revelou uma maior probabilidade de que eles apresentassem uma versão mais longa do gene receptor de andrógeno.

Essa diferença genética pode resultar em sinais de testosterona menos eficientes, de acordo com o artigo escrito pela equipe de pesquisadores.

Os cientistas enfatizam, no entanto, que há grande probabilidade de que outros genes também influenciem o processo.

Fatores biológicos
Cada vez mais, estudos científicos vêm apontando fatores biológicos envolvidos na identidade sexual.

Uma dessas pesquisas revelou, por exemplo, que certas estruturas no cérebro de homens transexuais são mais "femininas".

No novo estudo, os cientistas analisaram possíveis diferenças em três genes envolvidos no desenvolvimento sexual - o receptor de andrógeno, o receptor de estrogênio e uma enzima que converte a testosterona em estrogênio.

Comparações entre os DNAs dos voluntários transexuais e os de 258 indivíduos não-transexuais revelou uma forte associação entre uma versão mais longa do receptor de andrógeno e o transexualismo.

Testosterona
Os cientistas sabem já há algum tempo que versões mais longas do receptor de andrógeno estão associadas a sinais de testosterona menos eficientes.

Esta ação reduzida do hormônio masculino pode interferir no desenvolvimento sexual do feto no útero, avaliam alguns especialistas.

"Nós achamos que essas diferenças genéticas podem reduzir a ação da testosterona e sub-masculinizar o cérebro durante o desenvolvimento fetal", disse a pesquisadora Lauren Hare, do Prince Henry's Institute of Medical Research.

Outro pesquisador, Vincent Harley, diz que a sociedade tende a estigmatizar transexuais.

"É como se o transexualismo fosse uma escolha, um estilo de vida", afirmou. "Nossos resultados, no entanto, indicam que há uma base biológica para a forma como a identidade sexual se desenvolve."
Base biológica
Segundo os pesquisadores, este foi o maior estudo genético sobre o transexualismo já realizado. Eles planejam agora tentar verificar se esses resultados podem ser repetidos em um novo estudo com uma população maior.

Uma representante da Gender Identity Research and Education Society - entidade britânica que promove pesquisa e educação sobre transexualismo - disse estar convencida de que o transexualismo tem uma base biológica.

"Este estudo parece reforçar pesquisas anteriores que indicaram que, em alguns transexuais, pode haver um desencadeador genético para o desenvolvimento de uma identidade sexual atípica", disse Terry Reed.

"Esta pode ser uma entre várias causas", acrescentou Reed. "Embora pareça extremamente provável que um elemento biológico esteja sempre presente no transexualismo, é pouco provável que as rotas de desenvolvimento sejam as mesmas em todos os indivíduos."

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