Cientistas detectam variações sísmicas que podem ajudar a prever terremotos

Londres, 10 jul (EFE).- Cientistas dos Estados Unidos detectaram mudanças de tensão na crosta terrestre ocorridas antes de um terremoto na falha de San Andreas (Califórnia), informa o último número da revista britânica Nature.

EFE |

Uma das alterações foi detectada até dez horas antes de um terremoto, por isso os especialistas sugerem em seu estudo que a observação sísmica ativa pode ser uma ferramenta promissora no entendimento das variações de tensão que acompanham e talvez antecedem os tremores.

Para terem uma maior compreensão, sob os princípios da física, do começo e do fim dos terremotos, assim como de outros processos implicados no ciclo de um tremor, os cientistas construíram um observatório na região da falha de San Andreas, que fica entre Los Angeles e San Francisco e experimenta terremotos de intensidade moderada em intervalos regulares.

Na pesquisa, os especialistas cavaram dois buracos sob a superfície terrestre, um relativamente raso e outro com aproximadamente 3,5 quilômetros de profundidade.

Os túneis foram feitos para que fossem registrados dados geofísicos e recolhidas amostras para a posterior avaliação das mudanças químicas e das propriedades mecânicas ocorridas na falha.

Em um de seus experimentos, os cientistas utilizaram um dispositivo piezoelétrico para gerar ondas sísmicas em um dos buracos e depois cronometrar sua chegada no outro por meio de um receptor sismométrico.

"O que estamos buscando são variações na velocidade que corresponderiam a mudanças na intensidade. Foi criada a hipótese de que essas mudanças de intensidade antecederiam eventos sísmicos e poderiam ser utilizadas na previsão" de temores, disse um dos autores do estudo, Paul Silver, citado pela "BBC".

A equipe de cientistas mediu mudanças significativas na velocidade da onda sísmica exatamente antes de dois pequenos terremotos.

Em um deles, o sinal foi captado duas horas antes do terremoto, enquanto, no outro, a mudança aconteceu dez horas antes.

"Estamos muito encorajados por estes sinais pré-sísmicos e estamos planejando uma série de experimentos para ampliá-lo, de modo que possamos entender melhor seu ritmo e base física", disse o diretor do estudo, Fenglin Nu, da Universidade de Rice, em Houston.

EFE ep/bm/sc

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