Cientistas desenvolvem sistema para gerar células-tronco seguras

Redação central, 25 set (EFE) - Um grupo de pesquisadores do MGH Cancer Center e do Harvard Stem Cell Institute em Boston (Estados Unidos) conseguiu reprogramar células adultas de rato e transformá-las em células-tronco seguras, em trabalho publicado hoje pela revista Nature. A novidade do sistema que a equipe desenvolveu para gerar esse tipo de células-tronco, conhecidas como iPS (induced pluripotent stem cells), é que, nesta ocasião, foi utilizado um vírus que, ao contrário dos usados anteriormente, não passa a fazer parte do genoma das células nas quais entra. Esta característica do vírus, um adenovírus, permite conservar intacto o material genético deste tipo de células-tronco reprogramadas, essencial para que possam ser empregadas no futuro em tratamento celular humano. Além disso, o adenovírus que usamos tem outra característica necessária para satisfazer os padrões de segurança, e é que não pode se propagar uma vez dentro da célula, explicou à Agência Efe Matthias Stadtfeld, principal autor do trabalho. Os pesquisadores extraíram células do fígado e fibroblasto da ponta do rabo de ratos adultos e introduziram nelas um grupo de quatro genes conhecidos como Yamanaka factors. Juntos, estes quatro fatores podem estabelecer pluripotencialidade nas células adultas diferenciadas. Por enquanto, se desconhece como o fazem e quais são as contribuições individuais de cada um deles , prosseguiu Stadtfeld.

EFE |

Após cultivá-las no laboratório, injetaram as iPS em embriões de ratos que depois foram implantados no útero de algumas fêmeas. Os ratos que nasceram e nos quais as iPS se especializaram em vários tipos celulares sem problemas não apresentaram até hoje nenhum efeito adverso.

A equipe liderada por Konrad Hochedlinger acredita que, a partir de agora, será possível tentar reprogramar células humanas com adenovírus. Segundo Stadtfeld, "o êxito deste trabalho poderia depender da combinação" deste tipo de vírus com os "agentes químicos" utilizados "para reforçar a reprogramação".

Conseguir iPS e poder testá-las em humanos é apenas "uma questão de tempo", declarou o cientista.

No entanto, lembrou que um dos obstáculos a superar será o fato de que, "em geral, é mais difícil derivar células maduras e funcionais a partir de células-tronco em humanos do que em ratos"; e com as iPS terão que enfrentar o mesmo desafio.

"Demos um passo adiante, mas ainda estamos longe de poder iniciar os testes clínicos", declarou o pesquisador.

As iPS se somam ao elenco de células-tronco atualmente estudadas com a esperança de que, algum dia, possam servir para tratar aquelas doenças que afetam a integridade dos tecidos.

"Os tratamentos baseados em células iPS ou células-tronco poderiam ser empregados para reparar tecidos" como os da medula óssea ou do fígado, disse Stadtfeld.

Pessoas com uma doença como a anemia falciforme, uma alteração genética que destrói os glóbulos vermelhos, poderiam ser suscetíveis de receber este tipo de tratamentos.

Por último, ressaltou "a importância de continuar investigando neste campo e determinar se as células iPS geradas no futuro e as células-tronco são completamente idênticas, quanto à segurança e ao potencial na aplicação clínica". EFE amc/ab/db

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