Washington, 8 jan (EFE).- Cientistas americanos descobriram dois processos vinculados ao envelhecimento de ratos, que revelam que a degeneração celular é deliberada, e não uma falha gradual, afirmou um estudo divulgado hoje pela revista Cell.

De acordo com os cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, alterar ou reduzir estes processos poderia impedir, ou pelo menos retardar, a aparição das primeiras rugas nos humanos.

"Existe um processo genético para que ocorra o envelhecimento", destacou Howard Chang, professor de dermatologia e membro do Centro Oncológico da Universidade de Stanford.

"É possível que, nos indivíduos que vivem mais de 100 anos, haja uma versão menos eficiente deste processo central", acrescentou.

O cientista comparou o processo com o que ocorre em crianças que sofrem de progeria, uma doença de envelhecimento precoce, e no qual os componentes do processo pareceriam ser muito mais ativos.

Os pesquisadores centraram seu estudo em dois processos aparentemente independentes, mas estreitamente vinculados ao envelhecimento nos ratos.

Um deles tem a ver com uma molécula conhecida como SIRT6, que pertence à família de proteínas sirtuínas, que regulam o ciclo de vida dos fermentos e dos vermes.

Essa molécula está envolvida na estabilidade genômica e a proteção dos extremos dos cromossomos, chamados telômeros.

No estudo, os cientistas descobriram que os ratos que não têm a SIRT6 nascem normalmente, mas morrem com poucas semanas, devido a uma rápida e múltipla degeneração orgânica similar à do envelhecimento.

Segundo Katrin Chua, professora de endocrinologia e também membro do Centro Oncológico de Stanford, há algum tempo se sabia que as moléculas da família das sirtuínas estavam envolvidas no processo de envelhecimento e nas doenças próprias da idade avançada.

"Nosso estudo revela que a SIRT6, além de participar da estabilidade genômica e proteger os telômeros, também regula a expressão genética", acrescentou.

O outro processo é o da proteína NF-kappa B ou NF-kb, que reúne e regula a expressão de muitos genes, inclusive dos envolvidos no envelhecimento.

A expressão de muitos destes genes aumenta com a idade, e quando se bloqueia a atividade da NF-kb, nas células dérmicas de ratos idosos, estas funcionam como se essas unidades biológicas fossem mais jovens, afirmou o estudo. EFE ojl/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.