Washington, 7 ago (EFE) - Cientistas dos Estados Unidos anunciaram em um relatório divulgado hoje pela revista Cell que descobriram o fator que promove a aprendizagem.

Segundo os pesquisadores do Hospital Infantil de Boston (Massachusetts), o fator pode ajudar a explicar a grande capacidade de aprendizagem das crianças.

Trata-se da proteína identificada como OTX2, considerada responsável por desencadear um período de plasticidade no qual o cérebro faz novas conexões.

Em experiências feitas com ratos para compreender a forma como o cérebro forma as conexões neurológicas perante os impulsos externos, o sinal que desencadeia a proteína não provém do cérebro, mas de fontes externas no sistema, disseram.

Os pesquisadores acrescentaram que o momento no qual se produz esse sinal é crucial, porque "o cérebro precisa se reconectar no momento preciso, quando recebe um impulso sensorial ótimo".

Segundo Takao Hensch, professor do Departamento de Neurobiologia do Hospital Infantil de Boston, o controle desse momento concreto, no qual o cérebro faz novas conexões, é possível que combata transtornos de desenvolvimento como o autismo.

Neste tipo de transtornos, segundo os pesquisadores, os períodos críticos de desenvolvimento são retardados ou acelerados de forma inadequada.

Esse controle também pode ajudar a que algumas pessoas tenham maior capacidade de aprendizagem após a infância, aumentem seus conhecimentos de outro idioma, desenvolvam uma habilidade musical ou se recuperem de uma lesão cerebral.

Na pesquisa, os cientistas descobriram que as células que entram em ação no sistema da visão não produzem a proteína OTX2, mas esta provém da retina.

"O olho é o que diz quando se devem ser feitas as reconexões, e não o cérebro", diz Hensch.

Os cientistas liderados por Hensch demonstraram que quando os ratos crescem na escuridão, ao não ter estímulo visual, a proteína OTX2 se mantém na retina.

Só quando os roedores recebem esse estímulo visual começa a aparecer a proteína no córtex cerebral.

Em outras experiências, os pesquisadores injetaram OTX2 diretamente no córtex cerebral, o que desencadeou um processo de amadurecimento nas células até quando os ratos estavam na escuridão.

Finalmente, quando a síntese de OTX2 foi bloqueada no olho, as células da região cerebral vinculada à visão deixaram de amadurecer.

Segundo os cientistas, um fenômeno similar poderia ocorrer em outros sistemas sensoriais, como o do olfato e a audição. EFE ojl/db

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