Cientistas descobrem colônia de estrelas-do-mar na Antártida

Julio César Rivas Toronto (Canadá), 18 mai (EFE).- Um grupo de cientistas descobriu no pico de uma das cordilheiras marinhas que rodeiam a Antártida uma gigantesca colônia de estrelas-do-mar, que recebeu o nome de Cidade das Estrelas, e que desafia os conhecimentos tradicionais das montanhas marítimas.

EFE |

Pesquisadores da Austrália e da Nova Zelândia inscritos no Centro da Vida Marinha - um projeto que recolhe informação sobre todas as formas de vida que existem nos oceanos - apresentaram hoje os primeiros resultados de sua expedição à cordilheira Macquarie, que se estende do sul da Nova Zelândia até o continente antártico.

Em abril, a expedição capturou as primeiras imagens de uma gigantesca colônia de estrelas-do-mar formada por dezenas de milhões de exemplares no pico de uma das montanhas da cordilheira submarina, uma descoberta inesperada e que os pesquisadores chamaram de Cidade das Estrelas.

A descoberta desta colônia em massa foi um dos principais achados da expedição, mas, como disse à Agência Efe Ashley Rowden, um dos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Aquática e Atmosférica (NIWA, em inglês) da Nova Zelândia, a informação coletada está começando a ser analisada.

"Em alguns casos, as primeiras conclusões começarão a ser conhecidas em um ano. Em outros, demoraremos até três anos", afirmou Rowden.

O pesquisador explicou que a cordilheira Macquarie é uma cadeia montanhosa que se estende ao longo de mais de 1.400 quilômetros e é um dos poucos lugares onde a Corrente Circumpolar Antártica se desvia.

A corrente é como um gigantesco rio submarino que conecta os Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e circula em sentido horário em torno do Pólo Sul.

Os pesquisadores constataram que a corrente circula através dos desfiladeiros e dos picos da Macquarie a uma velocidade de 4 km/h.

O doutor Mike Williams, outro membro da expedição, explicou que a essa velocidade extrema "estima-se que a corrente seja entre 110 e 150 vezes maior do que toda a água que flui de todos os rios do mundo".

Os membros da expedição destacaram que acreditam que é a velocidade da corrente que permite a existência de uma colônia em massa de estrela-do-mar.

Rowden disse que, para sobreviver, os equinodermos "só precisam estender os braços e capturar os nutrientes que são empurrados pela corrente", e a força da água os protege dos predadores.

Outro dos aspectos que mais chamou a atenção dos cientistas é que, embora a base da montanha marinha onde fica a colônia de estrelas-do-mar fique a 850 metros da superfície da água, o pico da mesma está a apenas 90 metros de profundidade.

"Com nossas observações preliminares, acho que talvez precisemos questionar as divulgações prévias sobre as montanhas marinhas", explicou Rowden.

"Estamos realmente entusiasmados de ver tamanha quantidade de estrelas marinhas em Macquarie. Não só é incrível ver quantidades imensas de um único tipo de organismo, mas as implicações do achado em relação à singularidade das montanhas marinhas podem ser de grande alcance", acrescentou Rowden.

De fato, os cientistas consideram que haja 100 mil montanhas submarinas de pelo menos mil metros de altitude. Desse total, no entanto, apenas 200 foram estudadas detalhadamente.

No caso da Macquarie, a única expedição que tinha pesquisado anteriormente a cordilheira com algum detalhe foi a de uma equipe americana nos anos 1960.

A expedição australiano-neo-zelandesa utilizará os dados dessa viagem científica para estudar outros aspectos, como os efeitos da mudança climática e as alterações na temperatura das águas, explicou Williams. EFE jcr/wr/db

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