Cientistas descobrem 235 espécies idênticas no Ártico e Antártida

TORONTO - Cientistas do Censo da Vida Marinha anunciaram neste domingo a descoberta de 235 espécies idênticas que vivem tanto no Oceano Ártico quanto nas águas que cercam a Antártida, apesar dos 11 mil quilômetros de distância que os separam.

EFE |

Entre as espécies idênticas, estão baleias cinzas e aves. No entanto, os cientistas também identificaram vermes, crustáceos e caracóis pterópodes que parecem ser os mesmos em ambas as águas polares.

A diversidade e o grande número de espécies semelhantes deixaram os cientistas perplexos.

A pesquisadora Bodil Bluhm, da Universidade Fairbanks do Alasca (EUA) e uma das cientistas que participou das expedições árticas do Coml, disse à Agência Efe que "não temos certeza do que tudo isso significa. Se for confirmado, deveremos estudar os mecanismos de distribuição e outros".

Bluhm disse que os cientistas estão atualmente realizando análises moleculares do DNA das espécies para poder afirmar com absoluta certeza quais são idênticas e quais similares nos dois pólos do planeta.

O cientista alemão Julian Gutt, do Instituto Alfred Wegener e líder de uma das principais expedições do Coml à Antártida, acrescentou que talvez uma das perguntas mais interessantes que essa descoberta coloca é: "por que vivem a tanta distância? Como podemos explicar?".

Outro achado anunciados é a descoberta de provas de que espécies que preferem águas frias estão emigrando para os pólos a fim de escapar do aquecimento das águas oceânicas.

Estas descobertas fazem parte de uma série de expedições realizadas pelos cientistas entre os anos de 2007 e 2008, e estão dentro do Censo da Vida Marinha, um programa que emitirá seu primeiro relatório sobre as espécies marinhas, tanto as passadas quanto as atuais, em 4 de outubro de 2010.

O censo revelará que os oceanos são habitados por entre 230 mil e 250 mil espécies. Deste número, cerca de 7,5 mil espécies vivem nas águas das Antártida, enquanto 5,5 mil se encontram no Ártico.

Ron O'Dor, diretor científico do Censo da Vida Marinha, disse à Efe que, neste momento, o projeto se encontra na "etapa de síntese, tentando reunir todos os 17 diferentes projetos para dar ao mundo uma imagem da biodiversidade dos oceanos do planeta".

"Estes dois grupos, que chamamos de oceanos gelados, o Ártico e a Antártida, estão entre os primeiros a desenvolver seu censo" acrescentou O'Dor.

O alemão Gutt também disse à Efe que as pesquisas realizadas nos dois últimos anos revelam uma riqueza da vida marinha ao redor do continente gelado insuspeitada.

Gutt disse que, ao contrário das teorias dominantes desde os anos 70, o fundo marinho que cerca a Antártida forma uma só região biológica embora os lados opostos do continente estejam a 8,5 mil quilômetros de distância.

Ao mesmo tempo, graças aos resultados da análise de DNA de polvos, os cientistas acreditam que as águas da Antártida servem para revitalizar a fauna oceânica no resto do mundo.

Sua teoria é que novas espécies aparecem durante épocas de crescimento do gelo na Antártida. Quando o gelo se retira, essas espécies começam a se propagar para o norte, colonizando novas áreas.

Enquanto isso, no Ártico, a doutora Bluhm também constatou que espécies marinhas de reduzido tamanho estão substituindo outras maiores em algumas águas árticas, o que pode estar relacionado à mudança climática.

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