Cientistas decodificam genoma de asiático, africano e paciente com leucemia

Redação central, 5 nov (EFE) - Três novas seqüências do genoma humano foram apresentadas esta semana na revista britânica Nature, sendo duas delas de pessoas saudáveis - uma de origem africana e outra asiática - e a terceira de uma paciente com leucemia. Os três trabalhos publicados hoje usaram a mesma técnica e têm a vantagem de dispor de uma seqüência padrão de referência, obtida nos projetos anteriores -o último, o seqüenciamento do genoma de James D. Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA-, a qual é usada para comparar os dados destes indivíduos.

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A técnica em questão recebe o nome de seqüenciamento em massa e em paralelo e permite distinguir até quatro milhões de variações individuais simples que afetam uma só base, conhecidas como SNPs (sigla em inglês para Polimorfismos de Base única), e centenas de milhares de variantes genéticas de maior tamanho.

Com o novo sistema desenvolvido pela empresa americana Illumina, o Genome Analyzer, é possível completar a leitura do genoma de um indivíduo em um prazo de oito semanas e por menos de US$ 500 mil.

O Projeto Genoma Humano apresentou, em junho deste mesmo ano, o programa 1000 Genomas, com um objetivo claro: conseguir um mapa mais detalhado da variação genética humana entre indivíduos e povoações.

Todos os genomas seqüenciados até o momento eram de indivíduos de procedência européia, portanto nesta ocasião a atenção se centrou em pessoas de outras origens: um homem nigeriano de etnia Yoruba e um indivíduo chinês de etnia Han.

A potência do Genome Analyzer, que abrange até oito gigabases por semana, e seu custo, mais acessível, fez com que sua aplicação no campo da pesquisa biomédica não tenha demorado a ser usado.

Uma equipe da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Saint Louis (Estados Unidos) seqüenciou e comparou o genoma de células saudáveis e cancerosas de uma mulher com leucemia mielóide aguda (LMA), um tipo de câncer na medula óssea que interfere na formação das células sanguíneas.

Desta forma, foi possível descobrir dez variações no DNA das células cancerosas - em relação à seqüência saudável - relevantes no desenvolvimento da LMA, oito delas em genes que até agora não tinham sido relacionados com este tipo de câncer e únicas nesta mulher.

Samuel Levy e Robert L. Strausberg, pesquisadores no Instituto J.

Craig Venter em Rockville (EUA), destacam que o desenvolvimento das tecnologias de seqüenciamento permitirão, em pouco tempo, entender melhor a complexidade da biologia e das doenças humanas.

Para eles, "isto é só o começo da era do genoma individual". EFE amc/db

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