Washington, 4 set (EFE) - Cientistas americanos completaram o mapa genético de um tipo de câncer cerebral e outro de câncer pancreático, ambos considerados entre os mais letais da doença.

Em estudos divulgados hoje pela revista "Science", os cientistas do Centro de Câncer Kimmel da Universidade John Hopkins afirmam que o mapa genético é, até o momento, o estudo mais completo feito de um tumor.

Nesse novo mapa, os cientistas avaliaram mutações em praticamente todos os mais de 20 mil genes de 24 cânceres pancreáticos e 22 cerebrais.

Na maioria dos tumores estudados, foram descobertas alterações nos processos reguladores e essas mudanças corresponderam a cerca de uma dúzia de cada tipo de tumor.

No câncer pancreático, as alterações incluíram o sistema de controle de danos no DNA, o amadurecimento celular e a invasão do tumor correspondente a entre 67% e 100% dos tumores, disseram os cientistas.

Isto muda o conceito sobre os tumores sólidos e seu controle, ou seja, altera o tipo de remédios - ou outros agentes - necessários que atacam os efeitos fisiológicos desses processos, disse Bert Vogelstein, co-diretor do Centro Ludwig de John Hopkins e pesquisador do Centro Médico Howard Hughes.

Ele acrescentou que esses remédios, mais do que os componentes individuais dos trechos genéticos, provavelmente serão o enfoque mais útil para desenvolver novos tratamentos.

Além dos processos, em ambos os estudos foram identificados genes modificados, incluindo 83 oncogenes no câncer pancreático e 42 na forma mais letal de câncer no cérebro, o glioblastoma multiforme.

Também se determinou uma considerável exposição excessiva de 70 genes em proteínas cancerígenas que estão na superfície da célula ou que são secretadas, o que os transforma em um alvo para um potencial diagnóstico.

Segundo Kenneth Kinzler, professor de oncologia e co-diretor do Centro Ludwig, o estudo evidencia as dificuldades existentes no estudo da doença.

"O panorama dos cânceres humanos é claramente muito mais complexo do que o que se achava até agora", assinalou.

"Combatê-lo será uma guerra de guerrilhas mais do que um conflito convencional porque há dezenas de genes mutantes em cada um dos tumores", acrescentou. EFE ojl/bm/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.