Cientistas criam primeiros embriões híbridos do Reino Unido

Londres, 1 abr (EFE).- Uma equipe de cientistas da Universidade inglesa de Newcastle foi a primeira no Reino Unido a criar embriões híbridos parte humanos e parte animais, afirmou hoje a BBC.

EFE |

De acordo com a emissora pública britânica, estes embriões, desenvolvidos a partir da inserção de material genético de células epidérmicas humanas em óvulos anucleados de vaca, sobreviveram até três dias, e fazem parte de uma pesquisa sobre várias doenças.

A experiência foi autorizada pela Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA), semanas antes da votação do projeto de lei de pesquisa embrionária e de fertilidade pela Câmara dos Comuns, muito criticado pela Igreja Católica.

De acordo com a "BBC", o organismo regulador, que tem poder para conceder licença em alguns casos, não queria prejudicar a pesquisa.

Devido às pressões, o primeiro-ministro, Gordon Brown, se viu obrigado a conceder a liberdade de voto aos deputados trabalhistas nos aspectos mais polêmicos de seu projeto de lei, que regula a criação de embriões híbridos destinados à pesquisa com fins terapêuticos.

A Igreja Católica se opõe a este tipo de pesquisa porque considera um ataque contra os direitos humanos que pode gerar "aberrações".

Por sua parte, os cientistas dizem que a criação de embriões híbridos com núcleos celulares humanos em óvulos animais (que seriam utilizados para produzir células-tronco e depois seriam destruídos, não atingindo a fase fetal) compensaria a atual escassez de doações de óvulos humanos.

Segundo a "BBC", os cientistas de Newcastle utilizaram óvulos de vaca exatamente pela falta de óvulos humanos.

Em entrevista à emissora, o professor John Burn afirma que sua pesquisa é "totalmente ética", já que, além de ter sido autorizada, testa "com células que nunca se desenvolveriam".

Após este primeiro passo, a equipe de cientistas tentará, agora, fazer com que este tipo de embrião sobreviva aproximadamente seis dias, para poder extrair então células-tronco que possam ser usadas para pesquisar tratamentos de doenças. EFE jm/bf/db

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