Pesquisadores japoneses criaram a primeira linhagem de macacos geneticamente modificados para adquirirem uma cor verde fluorescente sob o efeito de raios ultravioletas, abrindo novas perspectivas para as pesquisas médicas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista Nature.

Os cientistas da equipe de Erika Sasaki, do Instituto Central de Experiências em Animais da Universidade Keio, introduziram nos embriões de micos saguis (Callithrix jacchus) a proteína fluorescente GFP, originalmente extraída das medusas, com a ajuda de um vírus.

Os embriões foram implantados, em seguida, em sete mães portadoras, sendo que três abortaram e as outras quatro deram à luz cinco filhotes.

Na segunda geração, o gene da GFP estava presente nas células reprodutoras de dois desses cinco macacos. Um dos dois a transmitiu para a geração seguinte.

A descoberta e a utilização da GFP, hoje um marcador frequentemente utilizado para explorar o interior de células vivas, foram recompensadas no ano passado com o Prêmio Nobel de Química.

Experiências semelhantes já haviam sido realizadas em ratos, mas a proximidade maior que o macaco tem com o homem permite acreditar na possibilidade de se implantar outros genes no macaco para que patologias humanas sejam monitoradas.

Esses tipos de experiências em macacos provocam controvérsias porque, segundo seus críticos, abrem caminho para manipulações com o genoma humano.

Experiências anteriores fracassaram em tentar inserir um gene nas células reprodutoras para transmitir a transformação genética às gerações seguintes.

"Este é o primeiro caso registrado de gene transmitido com sucesso para a próxima geração de macacos", indicaram em um comunicado.

A próxima etapa consistirá em implantar nesses micos transgênicos doenças como o Mal de Parkinson ou a esclerose lateral amiotrófica (Mal de Charcot).

Mas, segundo especialistas americanos, que publicam um comentário na Nature, essa espécie de macaco não é tão eficaz quanto os babuínos ou os macacos-rhesus na resposta às doenças humanas.

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