Londres, 10 dez (EFE) - O final da fertilidade das mulheres por meio da menopausa poderia ter surgido como um mecanismo para evitar a concorrência reprodutiva entre as mulheres mais velhas e as jovens, segundo a revista britânica New Scientist.

A menopausa é algo de que nenhuma mulher escapa, mas os cientistas não conseguiam entender é por que a natureza as privou de continuar tendo filhos, e transmitindo, assim, seus genes, tendo tanto tempo de vida pela frente, um desperdício em termos evolutivos.

A pressão da seleção natural deve ter sido forte, porque é um mecanismo de envelhecimento reprodutivo universal e porque, apesar do aumento da longevidade e das melhoras no estilo de vida, a idade com a qual as mulheres são afetadas não variou.

Aos 51 anos, a metade das mulheres deixou de ovular, de ter menstruação e de produzir os altos níveis de estrogênios associados com a fertilidade; enquanto aos 60 anos cerca de 99% das mulheres passou desta etapa.

Até agora, os cientistas se baseavam em duas hipóteses para explicar a menopausa, um fenômeno que, além das mulheres, só afeta as baleias assassinas.

A primeira delas é que ser mãe é uma tarefa muito exigente, pois os bebês humanos precisam de muito mais cuidados do que os das outras espécies, pelo que a mulher decidiu evitar os riscos do parto para se concentrar em criar os filhos que já tinha tido.

A segunda hipótese é a da avó: uma mulher saudável, que não tenha a carga de sua própria descendência, facilita a sobrevivência dos genes contribuindo ao cuidado dos netos.

No entanto, o primeiro caso não explica por que a mulher deixou de ter filhos em uma idade adiantada, e no segundo, renunciar à maternidade -o que representa passar 50% dos genes à descendência- para ser avó -os netos só herdam 25% de seus genes- não parece fazer sentido.

Agora, os professores Michael Cant, da Universidade de Exeter, e Rufus Johnston, da Universidade de Cambridge, afirmam que os benefícios destas hipóteses não são suficientes para que a reprodução fosse interrompida em uma idade tão adiantada.

Um gerontólogo da Universidade de Newcastle, Thomas Kirkwood, afirma que mesmo quando os benefícios das duas hipóteses são unidos, são poucos demais para justificar o fim da fertilidade feminina.

Os cientistas britânicos sugerem que a explicação da menopausa é a erradicação do conflito reprodutivo entre gerações.

Neste sentido, sustentam que, ao contrário de em outros grupos animais, em tempos pré-históricos as mulheres abandonavam os grupos familiares quando alcançavam a maturidade sexual para se unir a outras comunidades.

Como a mulher em idade adulta não tinha vínculos com as outras jovens do novo grupo, não se importava com os custos que sua maternidade gerava para as demais representantes do sexo feminino.

À medida que iam se tornando mais velhas, estabeleciam mais vínculos com o grupo e obtinham mais vantagens se passassem a se dedicar ao cuidado e abastecimento das novas gerações do que se competissem com as outras mulheres para ser mães.

Por isso Cant chama a menopausa de "o fantasma das competições reprodutivas do passado".

No entanto, diversos cientistas questionaram esta hipótese, pois consideram que não há provas de que as mulheres se dispersassem de seus grupos familiares, que a reprodução se suprimisse em um momento determinado nem que elas fossem tão competitivas para renunciar à maternidade. EFE vmg/db

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