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Cientistas conseguem mapear genoma do elo perdido dos vertebrados

Madri, 18 jun (EFE).- Um consórcio internacional conseguiu mapear o genoma do que pode ser o elo perdido dos vertebrados, o anfioxo ou lanceta, um invertebrado marinho que não mudou em 500 milhões de anos e que se parece muito com o ancestral de todos os vertebrados, incluindo o homem moderno.

EFE |

Assim explicou hoje à Agência Efe o especialista Jordi García-Fernández, do Departamento de Genética da Universidade de Barcelona, um dos responsáveis por esta pesquisa com participação internacional, que é capa da última edição da revista "Nature".

O trabalho permitiu decifrar um desafio no qual os cientistas trabalhavam após o mapeamento do genoma humano em 2001, e que será a chave para entender a evolução genética dos vertebrados e do genoma humano.

Esta "premissa científica" revela que, "em 95% do genoma (humano) podem ser encontradas regiões parecidas às do genoma do anfioxo" (Branchiostoma floridae), explicou o cientista espanhol.

Segundo ele, isto quer dizer que apenas poucas centenas de genes marcariam a diferença entre o genoma humano e o do anfioxo (o homem tem pouco mais de 20 mil genes e o anfioxo aproximadamente 20 mil).

Parece que precisamente esses genes diferentes teriam sido decisivos no processo evolutivo que deu origem aos vertebrados.

O genoma desta espécie de fóssil vivo é muito parecido com o genoma dos humanos, mas "muito mais simples", e seu plano corporal também é uma versão singela do que é um vertebrado.

Segundo as conclusões da pesquisa liderada por Daniel S. Rokhsar, diretor do Joint Genome Institute (EUA), o anfioxo tem um genoma e um plano corporal simples, mas ao mesmo tempo muito parecidos com os dos vertebrados.

Isso o transforma em "um modelo ideal para aspectos biomédicos, genômicos ou de estudos de regulação genética", afirmaram os pesquisadores envolvidos.

Graças à possibilidade de comparar o genoma do homem e o do anfioxo foram identificadas entre 50 e 100 regiões do genoma humano "altamente conservadas" durante 500 milhões de anos.

Assim, pode se deduzir que essas regiões são muito importantes embora sejam desconhecidas ainda suas funções, segundo os especialistas.

"Parece que o genoma do anfioxo está congelado, ou seja, é muito primitivo, e ao compará-lo com o do homem, pode se saber exatamente de onde vem cada pedaço de nossos 23 cromossomos evolutivamente", disse.

Atualmente, há 29 espécies de anfioxo no litoral de todo o planeta, mas para pesquisas só são usadas três: Branchiostoma floridae (Estados Unidos), Branchiostoma lanceolatum (Europa) e Branchiostoma belcheri (Ásia).

O estudo publicado na "Nature" e em outras revistas analisa a estrutura genética do genoma do anfioxo da Flórida (B. floridae), dotado de 19 cromossomos e 520 megabases, e revisa os dados genéticos no contexto evolutivo dos cordados. EFE aqr/bm/rr

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