Cientistas conseguem cultivar em laboratório folículos primordiais

(embargada até às 20h01, horário de Brasília) Londres, 20 abr (EFE).- Cientistas britânicos conseguiram cultivar em laboratório - chegando ao amadurecimento - os folículos primordiais - grupo de células - as partir dos quais se constitui a reserva de óvulos da mulher.

EFE |

A equipe, dirigida por Evelyn Telfer, da Universidade de Edimburgo, obteve os folículos dos ovários de seis voluntárias que optaram por dar à luz por meio de uma cesariana, informou a revista "Human Reproduction".

Os cientistas expuseram depois os folículos a um fator de crescimento artificial, substância que induz um processo de crescimento similar ao que acontece nos ovários.

Aproximadamente um terço dos folículos sobreviveu e chegou à chamada fase antral de desenvolvimento.

Uma forma de medir a fertilidade da mulher consiste em contar quantos folículos antrais ela possui.

Quando chegam a esta fase os folículos se enchem de líquido folicular formando óvulos quase maduros para serem fecundados.

Por enquanto, os cientistas ignoram se os óvulos amadurecidos desta forma são completamente normais e podem, portanto, ser usados na fecundação in vitro, embora os estudos realizados com animais revelem esta possibilidade.

A equipe de Edimburgo quer continuar sua pesquisa até ter certeza de que os ovócitos resultantes são normais e a técnica pode ser aplicada clinicamente, algo que poderia levar ainda dez anos.

Uma vantagem desta técnica é que permite trabalhar com numerosos óvulos: centenas deles no caso dos cientistas escoceses.

Em meados do ano passado, cientistas canadenses do McGill Reproductive Centre, de Montreal, anunciaram o nascimento do primeiro ser a partir de um óvulo humano amadurecido em laboratório.

Mas, 12 dos óvulos usados, embora imaturos, estavam em uma fase muito mais avançada que os folículos primordiais estudados por seus colegas britânicos.

No caso da experiência de Edimburgo, eram cavidades foliculares do ovário, que são milhões quando a mulher nasce, mas que vão se extinguindo ao longo de sua vida.

Os folículos são uma espécie de fonte de fertilidade da mulher, que, uma vez "seca", não consegue ser reabastecida.

Alguns permanecem inativos, mas outros amadurecem e eventualmente liberam seus óvulos.

A técnica desenvolvida pelos cientistas britânicos poderia ajudar a conservar a fertilidade das mulheres que se submetem a tratamentos de quimioterapia, pois poderiam lhes extrair os folículos antes de começar o mesmo.

Os potentes remédios usados no tratamento contra o câncer podem destruir os folículos nos ovários e provocar assim a esterilidade da mulher.

Atualmente, as mulheres que se submetem a tratamento contra o câncer podem pedir que retirem uma parte do ovário e a congelem para uma reimplantação posterior, mas este procedimento colabora com o risco de reintroduzir células cancerosas no metabolismo da paciente.

O amadurecimento dos óvulos em laboratório permitiria examiná-los para garantir que não há células cancerosas antes da reimplantação.

Esta técnica também poderia ser usada para um possível atraso da maternidade. EFE jr/bf/fal

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