Cientistas concluem 60% do sequenciamento do genoma do homem de Neandertal

Um grupo de geneticistas e antropólogos europeus e americanos concluiu a primeira parte do sequenciamento do genoma do homem de Neandertal, o ancestral mais próximo do humano moderno, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira.

AFP |

O sequenciamento completo do genoma de Neandertal vai fornecer um esclarecimento sobre a evolução deste primata desaparecido há aproximadamente 30.000 anos e a do humano de hoje.

Os trabalhos devem também possibilitar a identificação das mudanças genéticas que permitiram aos primeiros humanos deixar a África para se espalhar rapidamente pelo resto do mundo, um processo que começou há aproximadamente 100.000 anos.

Antropólogos e geneticistas do Instituto Max Planck na Alemanha e da empresa 454 Life Sciences Corp, uma filial do grupo suíço Roche com sede nos EUA, sequenciaram mais de um bilhão de fragmentos da DNA extraídos de três fósseis de Neandertal encontrados na Croácia.

Para isto, eles utilizaram novas técnicas elaboradas especialmente para o projeto coordenado pelo professor Svante Pääbo, diretor do departamento de antropologia genética do Instituto Max Planck.

Os dois grupos de pesquisadores sequenciaram no total mais de três bilhões de pares de base do DNA do Neandertal, viabilizando decifrar mais de 60% do genoma inteiro deste hominídeo.

Os trabalhos foram apresentados ao mesmo tempo na Alemanha e em Chicago no primeiro dia da conferência anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS).

Estas sequências de DNA podem ainda ser comparadas aos genomas já sequenciados do humano e do chimpanzé, o que deve dar uma primeira idéia da forma como o genoma do Neandertal se diferencia do dos homens de hoje.

O professor Pääbo formou um consórcio de pesquisadores no mundo para ajudar a analisar o genoma do Neandertal, cujos resultados serão publicados este ano.

Eles se concentrarão em um grande número de genes com um interesse particular na evolução recente do homem, cujo gene FOXP2 desempenha um papel importante na palavra a na linguagem do homem atual.

Os cientistas examinarão também os genes Tau locus e microcephalin-1, implicados respectivamente no envelhecimento do cérebro e seu desenvolvimento.

Variantes destes dois genes encontrados nos homens modernos levam a pensar que eles foram herdados do Neandertal.

Os resultados preliminares indicam que o Neandertal contribuiu muito pouco para estas variações genéticas entre a população humana contemporânea.

A maioria do sequenciamento vem das ossadas fossilizadas do Neandertal encontradas na caverna de Vindija, na Croácia.

Para verificar se as características genéticas deste Neandertal são típicas dos outros Neandertal, os cientistas também conseguiram o sequenciamento de vários milhões de pares de base de DNA de outros fósseis de Neandertal descobertos em outros sítios arqueológicos.

O professor Javier Fortea de Oviedo, na Espanha, obteve fragmentos de ossadas fossilizadas de um Neandertal de 43.000 anos encontrados em El Sidron enquanto Lubov Golovanova de Saint-Petersbourg, na Rússia, sequenciou pares de base de DNA das ossadas fossilizadas de 60 a 70.000 anos descobertos no Cáucaso.

Em 2008, pesquisadores do Instituto Max Planck conseguiram a sequência da totalidade do genoma mitocondrial - o DNA transmitido pela mãe - de um Neandertal de 38.000 anos, uma etapa para o sequenciamento da totalidade do genoma deste primata.

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