Uma equipe de cientistas anunciou nesta quarta-feira ter conseguido decifrar cerca de metade do genoma do mamute peludo (Mammuthus primigenius), extinto no fim da última era glacial, há aproximadamente 11.000 anos.

O seqüenciamento foi feito com base no DNA encontrado em pêlos de dois mamutes fossilizados, preservados no gelo siberiano por milhares de anos, indicaram os pesquisadores na revista britânica Nature.

Ainda restam lacunas importantes no genoma, mas os dados obtidos já seriam suficientes para realizar uma comparação genética entre o mamute peludo e seu parente vivo mais próximo, o elefante.

As duas espécies são tão semelhantes que seus respectivos DNAs diferem em apenas 0,6%, metade da distância entre o genoma humano e o genoma dos primatas.

A equipe, coordenada pelo pesquisador Stephan Schuster, da Universidade da Pensilvânia, já havia conseguido um feito inédito no ano passado, ao ser capaz de extrair DNA mitocondrial - material genético herdado geneticamente da mãe - de pêlos fossilizados de mamute.

O foco do trabalho divulgado nesta quarta-feira é o DNA nuclear, que carrega as coordenadas protéicas mais importantes da célula.

"Estamos fazendo a seqüência de fragmentos aleatórios e acreditamos já ter 50% do genoma decifrado. Ainda não sabemos o tamanho total do genoma", disse por telefone à AFP o co-autor do estudo, Webb Miller.

A técnica de obtenção do DNA por meio dos pêlos representa um grande passo em relação aos métodos utilizados antes, que extraíam o DNA do tutano ósseo fossilizado dos esqueletos encontrados.

Esse tipo de DNA costuma estar, porém, seriamente danificado, já que os ossos, porosos, deixam que bactérias e cristais de gelo penetrem no tutano.

O pêlo, por sua vez, possui queratina, que protege o DNA.

Os dois fósseis de mamutes utilizados pelos cientistas morreram cerca de 20.000 e 50.000 anos atrás.

ri/ap/tt

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