Cientistas europeus conseguiram criar, pela primeira vez, uma estrutura microscópica tridimensional que permite fazer um objeto desaparecer, um avanço no desenvolvimento da capa de invisibilidade popularizada pelo bruxinho Harry Potter, e anteciparam trabalhos que serão publicados na edição desta sexta-feira da revista científica americana Science.

Depois de cinco anos, os cientistas finalmente conseguiram produzir metamateriais - materiais compostos que não existem em estado natural - capazes de modificar o deslocamento da luz visível, ao fazê-la deslizar sobre um objeto de forma similar à da água sobre as rochas no fundo de um rio. Desta forma, qualquer objeto colocado sob eles fica invisível.

Os cientistas já tinham desenvolvido uma estrutura dimensional, mas a nova "capa" é tridimensional, explicou à AFP Nicholas Stenger, do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, um dos três autores desde estudo.

A primeira "capa de invisibilidade" criada era cilíndrica e o objeto que se queria tornar invisível tinha que ser colocado em seu interior.

Nesta nova pesquisa, um objeto foi posicionado sob uma estrutura microscópica semelhante a um tapete refletor, e o montículo criado ficou invisível, assim como o tapete.

"Qualquer que seja o ângulo por onde se olhe, não se vê nada", explicou o cientista francês.


Cena de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe": cientistas europeus mais perto de manto da invisibilidade igual ao da série de livros e filmes (Foto:Divulgação)

Ele explicou que a estrutura mede 100 mícrons - um milésimo de milímetro - de comprimento por 30 mícrons de largura e 13 de espessura, e escondia um objeto dez vezes menor.

Este manto de invisibilidade é formado de cristais fotônicos, nanoestruturas que são dispostas de forma a modificar a propagação da luz.

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