Cientistas apresentam primata fossilizado de 47 milhões de anos

Por Michelle Nichols NOVA YORK (Reuters) - Cientistas apresentaram na terça-feira os restos bem preservados e fossilizados de um primata de 47 milhões de anos, que foi achado na Alemanha e pode ter sido um parente próximo de ancestrais comuns do homem e dos macacos.

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É o fóssil primata mais completo já encontrado, do qual falta apenas uma perna abaixo do joelho. Ele pode revelar fatos sobre os primeiros estágios da evolução dos primatas, segundo os cientistas.

O paleontólogo norueguês Jorn Hurum, que chefiou uma equipe de cientistas que analisou o fóssil nos últimos dois anos, diz que ele pode parecer com algum dos primeiros ancestrais dos humanos, mas que provavelmente não é um ancestral direto.

"Não estamos lidando com a 'tata-tata-tataravó' mas talvez com a 'tia-tata-tata-tataravó'", disse Jens Franzen, do Instituto Senckenberg de Pesquisas, a jornalistas no Museu de História Natural de Nova York. "É dificílimo apontar quem deu origem aos humanos àquela altura, mas isso é o melhor a que podemos chegar."

Esse espécime, que media 58 centímetros da ponta do nariz à ponta da cauda, era uma fêmea que morreu com menos de um ano de idade, segundo Hurum. Foi batizada de Darwinius masillae em homenagem a Charles Darwin, estudioso da evolução, mas seu apelido é Ida.

Ela foi achada por um colecionador amador em 1983 no sítio arqueológico Messel, uma pedreira abandonada a sudeste de Frankfurt, onde vários fósseis já foram encontrados.

Ida foi mantida em uma coleção particular até ser oferecida para venda a Hurum e a Universidade de Oslo, em 2006.

De acordo com Hurum, os ancestrais diretos dos humanos "devem ter sido algo parecidos" com Ida. "Esta é a única pista que temos de como eles eram."

O formato do osso tálus dos humanos, que fica no calcanhar, é igual ao de Ida. Os polegares opositores e a presença de unhas em vez de garras também confirmam que ela era uma primata. A análise dos intestinos do fóssil mostrou que ela comia sementes e folhas.

As descobertas foram publicadas na revista PLoS ONE, da Biblioteca Pública de Ciências dos EUA.

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