Cientistas americanos encontram matéria espacial desaparecida entre galáxias

Cientistas americanos encontraram quase metade da matéria desaparecida do universo escondida no espaço entre milhões de galáxias, graças ao telescópio espacial Hubble, informaram os pesquisadores.

AFP |

Esta matéria normal, chamada de bárions ou matéria bariônica, foi originada durante e depois do Big Bang, e não deve ser confundida com a matéria escura, segundo os cientistas.

"Acho que estamos vendo as linhas de uma estrutura tipo teia de aranha que forma a espinha dorsal do universo", disse o astrônomo Mike Shull, da Universidade do Colorado, depois de uma extensa busca no espaço.

"O que estamos confirmando em detalhes é que o espaço intergalático, que intuitivamente pode parecer vazio, é de fato o depósito da maior parte da matéria bariônica normal no universo", afirmou.

A pesquisa, publicada na terça-feira no Astrophysical Journal, parece indicar onde foi parar a matéria normal local perdida e quais são suas propriedades.

Esta análise é a mais detalhada observação até hoje sobre esta matéria e sobre como ela aparece a bilhões de anos-luz da Terra.

Os cientistas usaram a luz de 28 quasares, os corações brilhantes de galáxias distantes que ainda possuem um buraco negro em seu centro, para iluminar essas estruturas, algo parecido com uma tocha brilhando na névoa.

Usando o espectrógrafo de imagens a bordo do telescópio espacial Hubble e o explorador espectrográfico ultravioleta da Nasa, os pesquisadores encontraram gás quente e "impressões digitais" espectrais de oxigênio e hidrogênio na luz dos quasares.

Obter provas da existência dessa teia de aranha cósmica de matéria normal será uma missão para o novo Espectrógrafo de Origens Cósmicas (COS), que deve ser instalado no Hubble ainda este ano.

"Acreditamos de que o COS descobrirá ainda muito mais matéria bariônica desaparecida", disse Shull.

"Nosso objetivo é confirmar a existência da teia de aranha cósmica, mapeando sua estrutura, medindo a quantidade de metais pesados presentes nela, e medindo sua temperatura. Estudar a teia de aranha cósmica nós fornecerá informações sobre como as galáxias se constituíram ao longo do tempo", concluiu.

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