Cientistas americanos descobrem que ácidos podem deter ataques epilépticos

(embargada até 14h de Brasília) Londres, 8 jun (EFE).- A ativação de certas moléculas do cérebro sensíveis aos ácidos pode interromper os ataques epilépticos graves, segundo um estudo divulgado hoje pela revista Nature Neuroscience.

EFE |

A maioria dos ataques epilépticos acaba espontaneamente e, até agora, ninguém conhecia que mecanismos moleculares os faziam terminar.

No entanto, cientistas da Universidade de Iowa (Estados Unidos) descobriram que a acidose no cérebro - alta concentração de ácido - interrompe os ataques e, portanto, pára a atividade epiléptica.

O pesquisador John Wemmie e sua equipe explicam que um tipo de canal iônico sensível a ácidos (ASIC), os ASIC1a, estão envolvidos nos ataques epilépticos.

Esse tipo de canal iônico, presente na membrana das células cerebrais, é extremamente sensível ao pH extracelular e regula a irritabilidade neuronal.

Os cientistas afirmam que a acidose pode ativar esse canal, o que interromperia os ataques epilépticos.

Para provar essa hipótese, os cientistas induziram ataques desse tipo em ratos de laboratório que não tinham canais iônicos ASIC1a e em outros que os tinham.

Os indivíduos dos dois grupos inalaram CO2, conhecido por diminuir o pH cerebral e inibir os ataques, mas as convulsões só foram interrompidas nos ratos que tinham os canais iônicos ativos.

Aqueles que não contavam com esses canais sofreram graves convulsões e muitos ratos morreram em conseqüência desses ataques.

A experiência indica que os canais iônicos desempenham um papel importante para pôr fim a um ataque epiléptico ao encurtar sua duração e evitar seu agravamento.

Segundo os pesquisadores, a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos para tratar a epilepsia, uma doença complexa e difícil de ser controlada. EFE vmg/wr/sc

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