Cientistas afirmam que expressões faciais têm origem genética

(embargada até as 4h01 de Brasília de 29 de dezembro) Washington, 29 dez (EFE).- As expressões faciais das emoções estão configuradas nos genes e, mais que fruto de uma aprendizagem cultural, são inatas, segundo um estudo publicado hoje pela revista Journal of Personality and Social Psychology.

EFE |

"Dado que os indivíduos cegos de nascença não podem ter aprendido os comportamentos em momentos de orgulho ou olhando os outros, suas expressões de vitória ou derrota provavelmente seriam uma propensão biológica inata nos humanos, mais que uma conduta aprendida", disse Jessica Tracy, da Universidade de Colúmbia Británica.

Tracy e seu colaborador, David Matsumoto, da Universidade Estadual de San Francisco, publicaram inicialmente seu estudo das expressões de atletas cegos e não cegos em agosto na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Matsumoto e Tracy compararam as expressões faciais de judocas com visão e cegos nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2004, com uma análise de mais de 4.800 fotografias de atletas de 23 países.

Os pesquisadores descobriram que os indivíduos que vêem ou que são cegos tiveram as mesmas expressões de emoção de acordo com o contexto social.

Por exemplo, devido ao caráter público da cerimônia de entrega de medalhas olímpicas, 85% dos ganhadores de medalhas de prata mostraram "sorrisos sociais" durante a cerimônia.

Os "sorrisos sociais" usam somente os músculos ao redor da boca, enquanto o sorriso verdadeiro faz com que os olhos brilhem e que as bochechas se elevem.

"Os indivíduos que são cegos de nascença não podem ter aprendido a controlar suas emoções desta forma de maneira visual, portanto deve haver outro mecanismo", acrescentou.

"A correlação estatística entre as expressões faciais dos indivíduos que podem ver e os que são cegos foi quase perfeita", disse o pesquisador. "Isto sugere que algo que reside em nossos genes é a fonte das expressões faciais de emoção".

"Talvez nossas emoções e os sistemas que as regulam sejam vestígios de nossos ancestrais", afirmou o investigador.

"É possível que, em resposta às emoções negativas, os humanos tenham desenvolvido um sistema que fecha a boca de modo que não possam gritar, morder ou lançar insultos", destacou. EFE jab/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG