Cientista sul-coreano é condenado por fraude em clonagem

A Justiça da Coreia do Sul condenou a uma pena de prisão de dois anos, suspensa por três anos, o cientista Hwang Woo-suk de apropriação indébita das verbas para sua pesquisa. Isso significa que os dois anos de prisão não precisam ser cumpridos pelo condenado, mas se ele se envolver em outro crime no prazo de três anos, precisará cumprir tanto essa sentença como a referente à nova infração que cometer.

BBC Brasil |

O trabalho do cientista de 56 anos, o transformou em um herói na Coreia do Sul até que foi revelado que suas alegações eram falsas.

2005
Hwang alegou em 2005 ter criado as primeiras células-tronco a partir de um embrião humano clonado. Esta pesquisa parecia representar um avanço em direção à possível oferta de curas personalizadas, usando tecidos cultivados a partir de células-tronco embriônicas para reparar órgãos danificados ou tratar de doenças como o mal de Alzheimer.

Mas, ainda em 2005, a pesquisa foi declarada falsa e ele foi levado a julgamento no ano seguinte por desvio de verbas e fraude.

De acordo com a Corte em Seul o cientista foi considerado culpado por "falsificação", acrescentando que Hwang desviou de forma ilegal uma parte do dinheiro que recebeu, para usar em fins não relacionados à pesquisa.

Os promotores pediram uma pena de prisão de quatro anos. Mas, apesar da condenação por apropriação indébita, Hwang foi inocentado de uma outra acusação de fraude e o juiz afirmou que "ele realmente se arrependeu de seu crime".

Renúncia
Desde 2002, Hwang recebeu US$ 40 milhões (cerca de R$ 68 milhões) em concessões de verbas apenas do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Em um artigo publicado em junho de 2005 pela revista científica Science, Hwang alegava ter produzido 11 linhas de células-tronco de embriões humanos clonados, em uma nova técnica para "produzir" tecidos que se adaptariam perfeitamente ao DNA de um doador.

Um painel de investigadores descobriu, no entanto, que todas 11 linhas de células-tronco derivavam de apenas duas linhas de células-tronco. E o painel ainda afirmou que não sabe se estas duas linhas foram realmente clonadas.

O painel da Universidade Nacional de Seul descobriu, em dezembro de 2005, que a pesquisa foi "inventada deliberadamente" e Hwang renunciou ao cargo de professor na instituição.

"Sinceramente peço desculpas às pessoas por ter gerado choque e decepção", afirmou o cientista logo depois de a fraude ter sido descoberta em 2005.

'Delito grave'
"Baseados nestas descobertas, os dados na revista Science em 2005 não podem ser encarados como um simples erro acidental, mas como uma falsificação intencional", afirmaram os investigadores. "Este é um delito grave que prejudicou as bases da ciência."
Anteriormente Hwang já tinha sido obrigado a renunciar ao cargo de presidente do Centro Mundial de Pesquisa em Células-Tronco para a Coreia do Sul, depois de admitir que os óvulos para pesquisa tinham sido doados por suas colegas cientistas, no que seria um desrespeito às normas de conduta.

O governo da Coreia do Sul suspendeu sua licença para continuar com as pesquisas em célula-tronco em 2006, alegando "problemas éticos".

Em sua defesa, Hwang negou que tenha ordenado aos seus subordinados que falsificassem os resultados, afirmando que foi enganado por pelo menos um deles.

O cientista também negou que tenha desviado recursos de pesquisa deliberadamente, afirmando que sua natureza distraída era culpada por problemas de registros das verbas.

Hwang ainda trabalha com clonagem de animais para um instituto local.

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